O preço do petróleo chegou a cair quase 3% nesta quarta-feira, mas passou a subir na madrugada e agora está em alta de 3,15%, cotado a US$ 106,68 (R$ 554,66), às 9h40 (horário de Brasília).
O barril Brent, referência mundial, começou a sessão em forte queda e chegou a atingir US$ 100,35, uma desvalorização de 2,96%, às 3h15, mas mudou a tendência até alcançar a máxima do dia às 9h40, sendo a primeira vez que superou a casa dos US$ 105 nesta semana.
Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, registra alta de 0,69%, a US$ 96,04 (R$ 499,34). Ao mesmo tempo, as Bolsas da Ásia fecharam em alta e as da Europa também estão valorizando, enquanto o ouro está em queda.
Os preços do petróleo tombaram nas primeiras horas da sessão depois que o Iraque e as autoridades curdas concordaram em retomar as exportações pelo porto de Ceyhan, na Turquia, mesmo com o estreito de Hormuz virtualmente fechado pelo regime iraniano.
Porém a retomada de ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que revidou bombardeando vários países do golfo Pérsico fez com que o petróleo subisse. A madrugada desta quarta-feira tornou-se uma das noites de violência mais espraiada pela região.
O regime iraniano realizou ataques em retaliação à morte do homem-forte do regime, Ali Larijani, na terça-feira (17), levou a uma madrugada de terror nos países do golfo Pérsico atacados por sediarem bases americanas. Em Israel, o uso de mísseis pesados deixou dois mortos em Tel Aviv.
O aeroporto de Dubai voltou a ser atacado e houve interceptações de mísseis e drones também no Kuwait, Bahrain e Qatar. Na Arábia Saudita, defesas antiaéreas derrubaram aviões-robôs perto da capital, Riad, e houve registro de ataques pontuais na Jordânia e no Iraque.
O conflito mantém a preocupação sobre o fornecimento de petróleo, já que os navios-petroleiros não conseguem passar pelo estreito de Hormuz, por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.
“Se o estreito não reabrir… o Brent e o WTI acabarão sendo reprecificados para cima à medida que os estoques da bacia do Atlântico forem reduzidos e o mercado global for forçado a se ajustar a um nível de oferta materialmente mais apertado”, comentou Rebekah McMillan, gestora de portfólio associada de múltiplos ativos na Neuberger.
Com a permanência do preço do petróleo acima dos US$ 100, os analistas temem que a situação tenha consequência direta nas decisões sobre juros que serão anunciadas pelos EUA e pelo Brasil nesta quarta-feira. No dia seguinte, será a vez do BCE (Banco Central Europeu) e dos bancos centrais do Reino Unido e da Suíça anunciarem suas resoluções.
A expectativa é que as taxas de juros sejam mantidas, exceto no Brasil que deve ter um corte de 0,25 ponto percentual, mas que ficará abaixo do 0,50 ponto percentual que vinha sendo previsto até o início do conflito no Oriente Médio.
Todos os olhos estão voltados para a decisão do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), com atenção às projeções econômicas atualizadas —particularmente o “dot plot” de projeções de taxas dos formuladores de políticas— onde o risco é que eles possam não mais prever cortes de juros este ano.
Espera-se que o Fed mantenha a política estável, mas o debate agora se concentra em saber se o conflito com o Irã ameaça um crescimento mais lento, uma inflação mais persistente ou uma combinação de ambos.
O presidente do Fed, Jerome Powell, realizará uma coletiva de imprensa, com os mercados também atentos a qualquer sinal sobre se ele planeja permanecer no conselho após o término de seu mandato como presidente em maio.
“O consenso ainda aponta para o dot plot mediano mostrando um corte de 25 pontos-base para 2026, alinhado com a precificação atual do mercado”, disse Tony Sycamore, analista da IG. “Há uma chance razoável de que os dots possam se deslocar para uma posição mais hawkish, talvez até para zero cortes, se o comitê considerar que o choque do petróleo está levando a uma inflação mais persistente”, comentou.
Folha Mercado
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BOLSAS SOBEM
As principais Bolsas do mundo registravam alta nesta quarta-feira. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, saltou 0,45%, e o índice SSEC, em Xangai, teve valorização de 0,32%. Mas os destaques na Ásia ficaram para Seul e Tóquio, que dispararam 5,04% e 2,87%, respectivamente.
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, subia 0,07%, às 9h25, com as outras Bolsas do continente também em alta: Frankfurt (0,04%), Paris (0,39%), Madri (0,57%) e Milão (0,27%). A exceção era Londres, que caía 0,14%.
As Bolsas dos EUA estavam em valorização antes da abertura do mercado. A Dow Jones subia 0,47%, a S&P 500, 0,48%, e a Nasdaq, 0,63%, às 8h15. O ouro estava na contramão e caía 2,07%, sendo vendido a US$ 4.904,54 (R$ 25,5 mil) a onça.
Os títulos do Tesouro dos EUA estenderam os ganhos após um sólido leilão de títulos de 20 anos. Os rendimentos dos títulos de 10 anos caíram 2 pontos-base para 4,1790%, sua terceira queda consecutiva, recuando de um pico recente de 4,29%. Os rendimentos de referência da zona do euro também caíram 2 pontos-base para 2,88%.









