IA: IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic testam limites – 23/05/2026 – Economia

IA: IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic testam limites - 23/05/2026 - Economia

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Elon Musk, Sam Altman e Dario Amodei já travaram embates sobre como a OpenAI poderia alcançar o Google em inteligência artificial.

Agora, o trio está preparando aberturas de capital bombásticas que podem criar empresas trilionárias, reviver mercados estagnados de ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos e testar a capacidade dos investidores públicos de absorver uma onda de listagens de tecnologia.

A rivalidade —intensificada pelas saídas conturbadas de Musk e Amodei da OpenAI em 2018 e 2020— também criou uma disputa sobre qual empresa consegue atrair o maior volume de capital.

A Anthropic de Amodei, a SpaceX de Musk e a OpenAI de Altman podem fazer de 2026 o maior ano para IPOs nos EUA. A venda de ações das três empresas elevaria essa captação muito além do recorde de US$ 156 bilhões levantados em 2021 (cerca de R$ 782 bilhões), encerrando quatro anos magros para investidores de venture capital e banqueiros de Wall Street.

Investidores, banqueiros e assessores envolvidos nas ofertas disseram que os executivos estavam avaliando quanto capital poderiam captar nas três operações sem sobrecarregar o mercado.

Estreias fracas também poderiam minar o otimismo com a IA que ajudou a impulsionar as ações americanas para cima, apesar da inflação e da turbulência geopolítica.

As três empresas privadas se aproximaram da listagem nesta semana, enquanto vazamentos sobre o cronograma acelerado de IPO da OpenAI e o primeiro lucro trimestral da Anthropic competiam por atenção com o tão aguardado registro S-1 da SpaceX.

Os vazamentos sinalizam aos investidores do mercado público que os laboratórios de IA podem seguir a SpaceX em breve.

Rob Hilmer, fundador da Goanna Capital, que tem participação nas três empresas, disse que não era coincidência todas estarem se preparando para abrir capital ao mesmo tempo.

“Em um ambiente forte de apetite por risco, no qual estamos há algum tempo, quantos IPOs de tecnologia em grande escala esperaríamos após cinco anos com poucos?”

“Em um mundo em busca de crescimento, há escassez desses ativos nos mercados públicos hoje… Acho que serão extremamente bem recebidos”, acrescentou.

Os investidores acreditam que as empresas podem surfar uma onda de entusiasmo com IA entre investidores institucionais e de varejo. A SpaceX pretende captar cerca de US$ 75 bilhões (R$ 376 bilhões) a uma avaliação de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,7 trilhões), enquanto a OpenAI foi recentemente avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,2 trilhões) e a Anthropic está perto de fechar uma rodada de US$ 30 bilhões (R$ 150 bilhões) a um valor de US$ 900 bilhões (R$ 4,5 bilhões).

“Há quase US$ 8 trilhões [R$ 40trilhões] em fundos de mercado monetário hoje”, disse outro investidor nas três empresas. “Absorver os [esperados US$ 75 bilhões] de ações da SpaceX representa apenas 1% disso. Há dinheiro parado pronto para ser investido.”

Investidores públicos passaram anos “tentando obter exposição à IA de formas indiretas, principalmente via semicondutores [ações de semicondutores como a Nvidia]. Assim que puderem ter acesso direto aos laboratórios, vão querer possuí-los. Não serão eles que terão dificuldade, isso vai se espalhar para o resto do mercado”, acrescentaram.

Peter Hébert, cofundador da firma de venture capital Lux Capital, também estava confiante de que os mercados públicos poderiam absorver as ofertas massivas. “Uma mega captação de US$ 75 bilhões pela SpaceX nem seria a maior captação primária de capital anunciada desde o início de 2026, esse recorde pertence à OpenAI”, disse, referindo-se à rodada de US$ 122 bilhões da criadora do ChatGPT no início deste ano.

Mas o trio continua com grandes prejuízos, e os investidores públicos podem se mostrar menos tolerantes com a queima massiva de caixa e compromissos não financiados do que os investidores privados têm sido.

Na avaliação de US$ 1,75 trilhão que os banqueiros estão mirando, a SpaceX seria negociada a 91 vezes sua receita de US$ 19 bilhões (R$ 95 bilhões) no último ano, um múltiplo que supera os mais caros de seus pares de Big Tech. A Nvidia, a mais cara das ações das “Sete Magníficas” em termos de receita, é negociada a 21 vezes as vendas dos últimos doze meses e é extremamente lucrativa.

Para realizar a abertura de capital da SpaceX, Musk precisa que os investidores comprem sua visão, além dos números. O prospecto se lê tanto como um manifesto quanto como uma divulgação financeira: 14 de suas primeiras 16 páginas são dominadas por imagens de foguetes, satélites e planetas.

A SpaceX também está convidando investidores para visitar sua sede Starbase no Texas para vender a história, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

“Se você não vê, não consegue sentir, e se não consegue sentir, não entende direito”, disse Justin Fishner-Wolfson da 137 Ventures, cuja firma investiu pela primeira vez na SpaceX em 2011.

“O que você vê é um dos maiores prédios do mundo fabricando foguetes, em uma escala que potencialmente pode ser a de aviões, e duas plataformas de lançamento e as torres que as acompanham”, disse.

Ele observou que os foguetes totalmente reutilizáveis que a SpaceX estava construindo permitiriam todo o negócio, desde internet via satélite e serviço de celular na Terra até data centers no espaço.

A lucratividade da Anthropic pode se mostrar passageira à medida que os gastos aumentam. O grupo assinou este mês para se tornar o maior cliente da SpaceX, concordando em gastar US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões) por ano em capacidade de data center e poder computacional, após também assumir compromissos de centenas de bilhões a mais em acordos com Google e Amazon.

Os gastos da OpenAI são mais ambiciosos. A empresa registrou quase US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) em receita no último trimestre, impulsionada pelo ChatGPT e pelo uso crescente de sua ferramenta de codificação Codex, disse uma pessoa com conhecimento do assunto.

Mas ela disse aos investidores que espera queimar cerca de US$ 600 bilhões (R$ 3 trilhões) antes de se tornar lucrativa em 2030. Levantou mais do que qualquer startup na história, passando por big techs e investidores soberanos, e está buscando investidores públicos para estender sua pista.

Parte do discurso da OpenAI é que ela será a primeira a alcançar a inteligência artificial geral —o ponto vagamente definido em que a IA supera a capacidade humana— e que as recompensas superarão em muito os gastos atuais.

Grandes visões que funcionam bem em mercados privados nem sempre sobrevivem ao contato com os públicos.

A missão da WeWork de “elevar a consciência do mundo” alugando escritórios com mesas de pingue-pongue e chopeiras foi abraçada por investidores privados, incluindo Masayoshi Son do SoftBank, mas foi rejeitada por fundos públicos, levando a empresa a cancelar sua listagem de US$ 47 bilhões (R$ 235 bilhões) em 2019.

Esse episódio assombra alguns investidores privados.

Mas outros estão mais tranquilos: a comparação entre a fadada empresa de escritórios e as queridinhas da IA de hoje “confunde uma grande empresa que era um péssimo negócio com três das empresas de melhor qualidade de todos os tempos. São negócios bem administrados e de alto crescimento”, disse Hilmer da Goanna.

“A última coisa com que me preocupo é se há capital para investir nelas.”

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