O dólar abriu em leve alta nesta sexta-feira (29) com os investidores repercutindo o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre e acompanhando as negociações entre EUA e Irã para encerrar a guerra que já dura mais de três meses.
A economia brasileira acelerou no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% em relação aos três últimos meses do ano passado, apontaram os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado mostra uma aceleração frente ao quarto trimestre de 2025, quando a variação foi de 0,3%. A alta de 1,1% é a maior em quatro trimestres, desde o primeiro do ano passado (1,3%).
Às 9h17, a moeda norte-americana subia 0,22%, cotada a R$ 5,0441. Na quinta-feira (28), o dólar fechou em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,032, enquanto a Bolsa encerrou o dia em baixa de 0,38%, aos 175.063 pontos.
Durante o pregão, investidores estiveram mais otimistas em relação a um possível acordo de paz entre Irã e Estados Unidos, apesar das incertezas ainda persistirem.
O maior entusiasmo foi impulsionado por uma reportagem do portal Axios, que indicou que os países chegaram a um entendimento para estender o cessar-fogo por 60 dias. Na véspera, porém, os dois lados voltaram a trocar ataques.
Segundo o site, EUA e o Irã chegaram a um acordo para estender a trégua e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O novo cessar-fogo, porém, dependeria da aprovação do presidente Donald Trump.
A informação foi negada por pessoa próxima da equipe de negociação, segundo a agência iraniana Tasnim. De acordo com a reportagem, o texto de um possível memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos ainda não foi finalizado.
Leonel Oliveira Mattos, analista em inteligência de mercado da StoneX, diz que a reportagem ajudou a diminuir a percepção de riscos geopolíticos e favorece o desempenho de ativos arriscados, como o real. “Contudo, esse movimento ainda foi moderado pela falta de uma formalização desse acordo”.
Nos últimos dias, o conflito foi retomado. Na noite de quarta-feira (27), os Estados Unidos fizeram novos ataques ao Irã, tendo como alvo uma base militar que, segundo autoridades, representava uma ameaça às forças americanas.
Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA, localizada no Kuwait, que teria sido de onde partiu a ofensiva.
No campo diplomático, o cenário é marcado pelo impasse. Na véspera, segundo a agência Reuters, a TV estatal do Irã disse que um esboço de um acordo entre o país e os Estados Unidos foi firmado.
Conforme o documento, o Irã restauraria o transporte comercial pelo estreito de Hormuz aos níveis anteriores à guerra no prazo de um mês, enquanto os Estados Unidos retirariam as forças militares das proximidades do Irã e suspenderiam o bloqueio naval.
A informação foi negada pela Casa Branca, que chamou a reportagem de uma “fabricação completa”. O presidente norte-americano, Donald Trump, ainda disse não estar satisfeito com as condições apresentadas pelo Teerã.
O vaivém nebuloso das negociações mantém o mercado em estado de alerta para quaisquer sinalizações mais contundentes sobre um possível acordo ou um acirramento do conflito.
Além disso, a guerra tem elevado as cotações do petróleo e adicionado incertezas às cadeias globais de insumos (gasolina e diesel, por exemplo), que pressionam as inflações.
Folha Mercado
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O conflito já tem afetado as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. Em abril, o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, citando incertezas com a guerra.
No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.
Indicadores econômicos também estiveram no radar dos investidores durante o dia. Por aqui, a taxa de desemprego subiu a 5,8% no Brasil no trimestre até abril, após marcar 5,4% nos três meses encerrados em janeiro, afirmou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Mesmo com a leve alta nesse recorte, o patamar de 5,8% é o menor para o intervalo até abril na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado, que era de 6%, segundo a agência Bloomberg.
O dado foi reforçado por números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) em abril, que mostraram abertura de 85,8 mil vagas de trabalho formal no mês. Foi o pior resultado para o mês desde 2020, ano do início da pandemia.
“As informações do Caged, em conjunto com a Pnad divulgada mais cedo, dão sinais mais claros de perda de dinamismo do mercado de trabalho, que pode ser reflexo da política monetária restritiva”, afirma André Valério, economista sênior do banco Inter.
Nos EUA, o foco esteve nos dados de inflação do país em abril. O índice de preços PCE, referência usada pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) subiu 3,8% nos 12 meses até abril, maior aumento desde maio de 2023, informou o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio nesta quinta-feira (28).
O banco central dos EUA acompanha o PCE para sua meta de 2%. O indicador estava em 3,5% em março.
Os dados reforçaram a expectativa de juros altos nos EUA por mais tempo. A ferramenta FedWatch, do CME Group, projeta a manutenção da taxa de juros dos EUA no intervalo entre 3,5% e 3,75% em todas as reuniões até dezembro.
“O cenário permanece nebuloso. A persistência inflacionária deve gerar forte oposição para diminuir juros no FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto), apesar de Kevin Warsh, novo presidente do Fed, defender a abordagem”, afirma Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad.









