O acordo entre a Natura e a Advent International, anunciado nesta segunda (30), deve ampliar a presença do fundo no setor de cosméticos e reduzir a influência dos fundadores no comando da companhia, segundo analistas de bancos e casas de investimento.
Em 2024, a Advent comprou 50% da Skala, empresa de cosméticos especializadas em cremes de cabelo, assumindo o controle da empresa. Um ano depois, anunciou a fusão da companhia com a Lola From Rio, marca de produtos de beleza veganos, em negócio avaliado em R$ 2 bilhões.
Agora, no acordo envolvendo a Natura, o fundo deve comprar uma participação de 8% a 10% do capital da empresa via mercado secundário. Segundo fato relevante, a operação deve ocorrer em até seis meses, com preço médio de R$ 9,75 por ação.
Com essa participação minoritária, a Advent poderá indicar dois membros para o conselho de administração da Natura.
O acordo também prevê que os fundadores da Natura —Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos— deixarão o conselho de administração e migrarão para um novo conselho consultivo, ainda a ser instituído e sem poderes decisórios, algo visto como positivo pelo mercado.
“A nova composição traz profissionais experientes, mais alinhados às habilidades necessárias para a próxima fase da empresa. É importante ressaltar que a participação contínua dos fundadores deve ajudar a preservar a cultura e o DNA estratégico de longo prazo da companhia”, afirmam Ágora e Bradesco BBI, em relatório assinado pelos analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles.
Para o banco BTG Pactual, a mudança representa um “avanço relevante”, ao propor uma governança mais institucionalizada e reduzir a centralidade dos fundadores.
Folha Mercado
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Segundo a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI, o anúncio também deve estabelecer um piso de avaliação para as ações nos próximos meses e melhorar a eficiência da Natura.
“A possível entrada da Advent pode aprimorar o senso de responsabilidade e propriedade na Natura, o que, com o tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos”, afirmam.
O mesmo é defendido pelo BTG Pactual, que vê a entrada do investidor como um catalisador para a reprecificação das ações. “O investimento ocorre após um período de elevada volatilidade na companhia e em meio a um processo de reestruturação ainda em curso.”
O processo de reestruturação da empresa já envolveu as vendas da Avon International e a demissão de cerca de 1.400 funcionários.
O Itaú BBA também vê o pacote como construtivo. “A renovação do conselho e a potencial entrada da Advent —que já tem exposição ao setor de beleza— podem trazer maior disciplina financeira e de execução.”
A instituição ainda destaca que a empresa realizou mudanças relevantes nos últimos meses, com destaque para a reformulação dos incentivos para consultoras da marca Natura e o relançamento da Avon.
“Como o primeiro trimestre ainda deve mostrar fraqueza na receita, os resultados a partir do segundo trimestre serão decisivos para indicar se as iniciativas estão ganhando tração”, diz o banco.
O anúncio, feito após o fechamento do mercado na segunda-feira, levou as ações da companhia a liderarem o pregão da Bolsa nesta terça (31) —o Ibovespa encerrou o dia em alta de 2,71%, aos 187.461 pontos.
Os papéis encerraram o dia com alta de 12,77%, a R$ 10,42. Na máxima, as ações da empresa chegaram a R$ 10,45, avanço de 13,09%.
A disparada também levou os papéis a entrarem em leilão, mecanismo em que as negociações são temporariamente suspensas diante de oscilações mais intensas.









