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Amigo relembra ‘causos’ da juventude de Jair Bolsonaro

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Um velhinho alto, de quase 2 metros, caminha vagarosamente pelo estacionamento da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), um dos maiores centros do poder econômico do Estado. Vestido em um paletó cinza, com algumas madeixas resistindo ao penteado, ele parece perdido ao avistar a reportagem do jornal A Gazeta: “É aqui que vai ter a palestra do filho do presidente?”, pergunta ele, em tom de voz modesto.

“Sou amigo do pai dele”, diz o senhor grisalho ao subir as escadas em direção à recepção do edifício, logo depois de saber que estava no lugar certo. “Amigo do presidente? Isso deve ser bom né?”, escuta ele da reportagem quando já está quase diante da recepção. “Não sei não, é provável que não” e gargalha fervorosamente à medida em que se distancia para entrar no prédio.

Tão rapidamente quanto chegou, Sérgio logo é despachado pela recepcionista. Ele se apresenta e depois de um simples telefonema entra no edifício, enquanto os repórteres aguardam pelo lado de fora a boa vontade do filho do presidente para falar com a imprensa. A entrada sem entraves do idoso dissipa parte da incredulidade natural que se abate sobre todo repórter de política. É provável que aquele velhinho garboso, bem vestido, seja amigo do chefe máximo da República. Será mesmo?

O amigo do presidente responde pelo nome de Sérgio Ferreira de Oliveira Canongia. Sérgio é um advogado carioca, que veio para Cuiabá nos anos 1950, e que hoje está no auge dos seus 88 anos. Passando muitas vezes despercebido no meio político, Canongia é um baú de histórias. Conheceu Jair Bolsonaro, o militar, quando era chefe de gabinete de Fernando Corrêa da Costa, seu tio, quando este era senador no Rio de Janeiro. Foi empregado no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), chefe da loteria estadual de Mato Grosso, além de empreiteiro responsável pela construção de grandes obras, como o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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Cerca de duas horas depois de entrar no prédio, Canongia – como era conhecido nos tempos do Rio de Janeiro – desce as mesmas escadas que subiu ao anunciar ser amigo do presidente e por ali reencontra a reportagem. “O senhor disse que é amigo do Bolsonaro, certo? Pode contar essa história”? e Canongia reponde: “Posso… É o seguinte, eu sou carioca…”, mas logo se interrompe: “Você quer mesmo escutar esta história né?” e, antes mesmo que a reportagem pudesse responder positivamente, Sérgio começa a contar…

Molecada da Miguel Lemos

“Eu nasci nas avenida Vieira Souto, eu brinco com os cuiabanos, porque cuiabanos adoram o Rio de Janeiro, eu brinco que nasci na Favela da Vieira Souto, pergunto se conhecem, eles dizem que sim. A Favela da Vieira Souto fica logo ali, em Ipanema”, diverte-se o octagenário.

“Eu vim para Cuiabá nos anos 50, me deram uma passagem da Panair, fiquei na casa do governador Fernando Corrêa da Costa, meu tio, casado com minha prima, fiz minha vida toda aqui. Por volta dos anos 70, voltei para o Rio quando Fernando Corrêa virou senador e lá conheci Bolsonaro, frequentávamos a famosa turma da Miguel Lemos, grupo de molecada da rua Miguel Lemos”.

“A turma era de moleques de praia, jogávamos bola, e o presidente frequentava também, ele era rapaz, tinha 17 ou 18 anos, eu estou mais velho que ele 24 anos, ele frequentava nossa roda, jogávamos vôlei na praia. Ele era um cara forte, era louco, sempre foi louco, dizia ‘p., isso é jeito de jogar a bola? Vai tomar no c*, p…’, zangava e xingava. Era assim, do mesmo jeito que é hoje, não mudou nada”.

“Quando ele veio aqui, ele lembrou que eu existia, era época da campanha eleitoral, mandou o assessor dele me caçar e me chamou para almoçar com ele no Choppão. Ele sentou na primeira mesa, na mesa de cima, e quando me viu entrar ao invés de me receber com um abraço me recebeu com uma ‘gravata’. Lembro que um amigo meu que estava no bar riu de mim e disse: ‘Serginho, você é f.d.p, conhece todo mundo’, eu disse brincando com ele: ‘Claro, eu nasci em Ipanema, não foi em Poxoréu’ ”.

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“O fotógrafo que estava na campanha fez a imagem e eu fiquei doente por 15 dias, comi um troço estragado, meu estômago inflamou e o apêndice trancou meu intestino, eu vomitei bosta pela boca. Fui até lá e o fotógrafo tinha apagado as fotos, me disse que eu tinha demorado a ir e que ele não tinha mais espaço no cartão”.

‘Povo alegre’

“Quando estivemos juntos em Cuiabá praticamente não teve conversa. Era só assim “Canongia, Cuiabano é f.d.p, né? Rapaz, povo alegre, é do car… hein”. Eu queria conversar com ele sobre estrada de ferro, mas não consegui, fiquei com ele por duas horas ou duas horas e meia, todo mundo em cima e a conversa dele é assim ‘P., que calor f.d.p hein”, nada de conversa do tipo “Canongia, o que o senhor faz aqui?”. Mas eu queria conversar sobre estrada de ferro, sou apaixonado por estrada de ferro porque meu avô detinha 30% da Madeira-Mamoré, o sócio majoritário era um americano”.

“Ele [o presidente Jair Bolsonaro] é realmente louco, ele te olha e do nada diz ‘Te dou uma porrada cara, não fica olhando para mim assim não”. Eu até brinco com um amigo meu que é Bolsonaro doente, lembro que o Bolsonaro foi expulso do Exército como Capitão, ele quis botar fogo por causa de salário, ele ameaçou soltar bomba, ele é doido, doido”.

“Somos de outra geração, sou mais velho que ele 24 anos, mas frequentávamos os mesmos lugares no Rio e lá ninguém tinha dúvidas disso, ele é porra louca”. Folha max.

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