A boutique de elite em assessoria de fusões e aquisições de Nova York, Centerview Partners, encerrou um processo movido por uma ex-analista que foi demitida após dizer que precisava dormir de oito a nove horas por noite.
O banco chegou a um acordo com Kathryn Shiber às vésperas do julgamento, em um caso que exigiria que a instituição convencesse um júri de nova-iorquinos de que estar disponível para trabalhar de madrugada era parte essencial da função.
O caso se tornou um catalisador para o debate sobre as condições de trabalho de funcionários juniores em Wall Street, onde longas jornadas e noites viradas são comuns. A Centerview não divulgou os termos do acordo.
Shiber processou a firma de Wall Street por discriminação por deficiência sob leis estaduais e federais e buscava milhões de dólares no caso.
A Centerview afirmou em comunicado que as alegações legais de Shiber “não têm fundamento”.
“Estávamos prontos para provar isso no tribunal e estamos confiantes de que teríamos vencido no julgamento”, disse a empresa. “Mas, ainda assim, estamos felizes em deixar essa distração para trás e focar em entregar resultados para nossos clientes.”
O julgamento, que estava programado para começar na segunda-feira (23), deveria contar com depoimentos de Shiber e executivos seniores da Centerview, incluindo o copresidente Tony Kim.
Em uma audiência pré-julgamento na semana passada, um juiz disse que detalhes sobre receitas, lucros e desempenho financeiro da Centerview poderiam ser divulgados durante o julgamento —rejeitando um pedido do banco para manter as informações em sigilo. Os advogados do banco argumentaram que tal divulgação poderia criar uma “narrativa de Davi contra Golias”.
Folha Mercado
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A Centerview, cofundada pelos influentes banqueiros de Wall Street Blair Effron e Robert Pruzan em 2006, compete com grandes bancos de investimento como o Goldman Sachs.
Shiber ingressou na Centerview em 2020 e foi alocada no “Projeto Dragon”, um projeto para defender a empresa de energia Duke Energy, avaliada em bilhões de dólares, de uma possível disputa por procuração liderada pelo fundo de hedge Elliott Management.
Após ser designada para o projeto de alto risco, a então jovem de 21 anos revelou uma condição médica que exigia que ela dormisse de oito a nove horas por noite, idealmente em um horário regular.
O banco inicialmente lhe concedeu uma janela garantida da meia-noite às 9h, durante a qual não seria esperado que ela trabalhasse. Mas semanas depois, a Centerview a demitiu, alegando que ela não conseguia desempenhar as funções essenciais do cargo se estivesse indisponível durante essas horas. A janela havia sido apenas uma medida de curto prazo, afirmou a empresa em documentos judiciais.
O julgamento teria levantado a questão de se tal disponibilidade era ou não essencial. Quando o juiz federal Edgardo Ramos, em outubro, determinou que o caso prosseguisse, ele disse que havia uma “disputa genuína” sobre o assunto.









