ECONOMIA

Campos Neto mostra preocupação com crescimento estrutural no País após pandemia

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante audiência pública conjunta das comissões de Assuntos Econômicos e comissão Mista de Orçamento.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, considerou nesta quarta-feira que o Brasil vem avançando no controle da pandemia, mas manifestou preocupação com o crescimento estrutural do País nos próximos anos.

Durante participação em evento do Bank of America, ele julgou que, na média, o crescimento da economia está melhor, porém o crescimento estrutural, trazendo um debate sobre como ampliá-lo, é um ponto de preocupação.

Apesar de as economias estarem, em geral, acima ou perto dos níveis pré-pandemia, ainda que com baixa dinâmica do setor industrial, Campos Neto disse que a desaceleração chinesa, em função das crises energética e imobiliária, também preocupa pelo vinculo da economia brasileira com o gigante asiático.

Ao falar sobre a pandemia, o presidente do BC avaliou que as estatísticas melhoraram, destacando o avanço “muito rápido” da vacinação, inclusive já com dose de reforço, e a baixa rejeição aos imunizantes. “Na margem, há alguma alta de casos de covid, mas números em geral são bons”, assinalou.

Impacto da política monetária dos EUA

Campos Neto comentou que a retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos não deve provocar impacto relevante nas decisões sobre juros no Brasil, onde o avanço da inflação tem motivos particulares. Ele disse ver pressão para dois ou três movimentos de alta dos juros nos Estados Unidos.

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Se as decisões do Federal Reserve estiverem em linha com esse padrão, projetou, o impacto no Brasil será limitado. Da mesma forma, minimizou potenciais impactos adicionais em economias emergentes vindos do enxugamento da liquidez internacional e da normalização de taxas de juros no mundo, um processo que, em sua visão, será mais persistente.

Campos Neto citou o ceticismo do mercado em relação à capacidade de o Brasil crescer mais de 2% ao ano de forma sustentável como um dos motivos por trás do prêmio de risco cobrado pelos agentes no financiamento da dívida pública. Ele reiterou, assim, que o País ainda tem muitas reformas a serem realizadas.

Outra pressão sobre os prêmios de risco, acrescentou, vem da percepção de risco na gestão das contas públicas, dada a flexibilização no arcabouço fiscal. De acordo com o presidente do BC, o conceito da regra do teto mudou pela necessidade de o governo ampliar gastos diante de um momento extraordinário como a pandemia.

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Inovação no câmbio

O presidente do Banco Central destacou que o projeto de lei de modernização do câmbio deve ser votado no Senado na semana que vem. “Era para ter sido votada ontem”, disse.

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Na terça, no plenário do Senado, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), decidiu adiar a votação para uma data a ser definida. Considerando o cronograma de trabalhos do Senado, Pacheco disse que o projeto deve ser apreciado no Senado na próxima quinta-feira, 2, ou no dia 7 de dezembro.

O adiamento ocorreu após o senador Paulo Rocha (PT-PA) ter solicitado que o projeto passasse pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa. Já o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) argumentou que talvez não fosse necessário que o PL passasse por uma das comissões, mas pediu mais tempo para analisar o texto, ponto que recebeu o endosso do líder do governo Fernando Bezerra (MDB-PE).

Campos Neto passou pelo assunto do PL cambial de maneira breve, em meio à agenda de inovações do BC, com o Pix, o Open Finance e o real digital, ainda em estudo pela autarquia.

Em relação ao último ponto, Campos Neto disse que o BC tem considerado a saúde do sistema bancário nesse processo. A perspectiva é de um piloto até o fim de 2022.

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