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Criar uma crise política agora será explosivo; pode matar mais”

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O governador Mauro Mendes: não sou contra a parada [das atividades econômicas] , mas ela tem que acontecer no tempo certo

 

O governador Mauro Mendes (DEM) avalia que inserir o componente político na atual crise sanitária e econômica, provocada pelo coronavírus, só deverá piorar o cenário já ruim para Mato Grosso e o País.

 

Para ele, criar crises políticas neste momento pode ser algo “explosivo”. Por isso, o governador prefere não polemizar com declarações do presidente Jair Bolsonaro, de que a Covid-19 é uma “gripezinha”.

 

“Eu não quero, neste momento, ficar julgando o nosso presidente. Neste momento nós temos uma grave crise na saúde pública que vai gerar uma grave crise econômica e não podemos fazer disso também uma grave crise política. A combinação desses três fatores pode ser explosiva e aí sim matar muito mais gente”, disse Mendes.

 

Na entrevista, o governador ainda comentou sobre as providências que está tomando para combater o avanço do coronavírus em Mato Grosso e reabeteu as críticas ao decreto 425/2020, que trata das restrições das atividades privadas. 

 

Ainda na entrevista, Mendes falou sobre um eventual adiamento da eleição de outubro e do pedido de empréstimo de R$ 500 milhões para a construção de pontes.

 

Leia a entrevista completa:

 

MidiaNews – Neste exato momento, o que o senhor pode dizer em relação à situação de Mato Grosso em relação ao Covid-19?

 

Mauro Mendes – Nós temos 11 casos neste momento [sexta-feira, 27]. Desses, nove estão em casa e dois estão internados na rede privada. Nós não temos, até o momento, nenhum paciente internado que esteja confirmado com o coronavírus na rede pública. Estamos tomando todas as providências possíveis e necessárias para que tenhamos condições de atender a população de Mato Grosso.

 

MidiaNews – O secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo afirmou que Mato Grosso está preparado para o pior cenário. A nossa situação é mais tranquila que de outros estados?

 

Mauro Mendes – Não. Não é uma situação tranquila. Estar preparado é tomar as providências. Nós estamos construindo novos leitos na cidade de Várzea Grande, no Hospital Metropolitano. Separamos leitos no Hospital Santa Casa de Cuiabá e nos hospitais regionais. Estamos comprando equipamentos na China, no mercado brasileiro… Estamos tomando todas as providências para poder atender a população. É importante que a população colabore porque, se tiver um grande número de casos, vai ser difícil para o nosso sistema – como está sendo para qualquer sistema do mundo – atender todos ao mesmo tempo.

 

MidiaNews – O que será comprado da China? As negociações já estão avançadas?

 

Mauro Mendes – Nós estamos tentando comprar da China respiradores, equipamentos de proteção, camas… Infelizmente hoje no mercado brasileiro está faltando tudo. Está faltando até nos Estados Unidos porque o Mundo inteiro está numa corrida para comprar esses equipamentos. Então, a saída é buscar nos mercados de grande capacidade, como é o mercado chinês, para comprar tudo o que tem.

 

Nós já temos pedidos fechados com a China. Estamos aguardando a produção e o embarque para Mato Grosso.

 

MidiaNews – O senhor está satisfeito com a resposta dos mato-grossenses em relação às medidas que foram determinadas pelo Estado?

 

Mauro Mendes – Em muitas regiões sim. O Governo está seguindo os protocolos do Ministério da Saúde e da OMS [Organização Mundial da Saúde]. Você não pode, num primeiro caso, mandar parar tudo como alguns estão querendo fazer ou fizeram. Se com um caso [de coronavírus] você manda parar tudo, quando tiver 50 em 15 dias, volta tudo ou continua parado? A lógica, se parou com um, é continuar parado. E depois de 30 dias, que tiver 300 casos? Se você parou com um, com 50, a lógica com 300 é continuar parado. Aí vai para 45 dias, vai ter 1.500 casos. Se você parou com 1, parou com 50, com 300, com 1.500 casos você tem que continuar parado. Nós vamos ficar parados três, quatro meses? A população aguenta isso? O pequeno comerciante, pequeno empresário, o trabalhador, autônomo, as pessoas que dependem de trabalhar no dia a dia para comprar alimentos para a sua família, aguentam ficar parados 60, 90, 120 dias? Por isso que nós temos que fazer a parada no momento certo. No início da pandemia, com um caso, não é momento de parar tudo.

 

MidiaNews – O senhor recebeu várias críticas por conta desse novo decreto, que liberou o funcionamento de shoppings, por exemplo. Como enxerga essas críticas?

 

Mauro Mendes – Vejo como natural. Mas as pessoas que estão me criticando estão com as prateleiras cheias. Estão com salário garantido no final do mês. Eu quero ver críticas daquelas que estão passando fome, daquelas que dependem de trabalhar e são milhares de mato-grossenses nessa situação. O Governo está se preocupando com essas pessoas.

 

Não tem nenhuma pessoa internada na rede pública até agora [com coronavírus]. Nós temos 11 casos. Nove estão em casa e duas estão nos hospitais privados. E aí para tudo? Não sou contra a parada, mas ela tem que acontecer no tempo certo.

 

MidiaNews – Na atual situação, quanto tempo a economia do Estado aguenta?

 

Mauro Mendes – Trinta dias de paralisação já vai ter um caos gigante. Não vai ter dinheiro para um monte de coisa porque ninguém vai pagar impostos, as pessoas vão ter problema de abastecimento. Vai faltar comida, vai faltar combustível. Seria um cenário de caos se nós ficarmos 30, 60, 90 dias parados. Por isso que nós temos que ter responsabilidade com isso. E é o que nós estamos fazendo. Nós estamos determinando que haja restrição do convívio, do contato social, mas não podemos parar tudo. Já pensou se eu mandar todo mundo do Governo para casa? Quem vai rodar a folha de pagamento? Quem vai cuidar da arrecadação do Estado? E aí? Para tudo do Governo também?

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MidiaNews – O Governo Federal anunciou o envio de testes para todo o Brasil. Quando eles chegam aqui e qual será a estratégia para Mato Grosso?

 

Mauro Mendes – O Ministério da Saúde está mandando um número pequeno ainda de kits para os estados. Nós estamos tentando comprar um lote de 10 mil kits para termos aqui em Mato Grosso e estamos aguardando que o Ministério consiga enviar um lote maior para que nós possamos ser mais ágeis, já que o Lacen está em condições de fazer esses testes.

 

MidiaNews – Há um grande crítica do Sindicato  dos Médicos do Estado (Sindimed) em relação à falta de EPIs.  Como está o processo de aquisição de luvas e máscaras, por exemplo?

 

Mauro Mendes – Em quais hospitais estão faltando? Peça para o Sindimed ser mais específico. Nesse momento não dá para fazer crítica genérica. É verdade que existe falta de EPIs no Brasil inteiro, no Mundo inteiro, mas a nossa rede está abastecida.

 

MidiaNews – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de seu partido, rompeu com o presidente Jair Bolsonaro depois do pronunciamento da terça-feira – quando ele minimizou os riscos do coronavírus. Como o senhor avalia a atuação do presidente nesta crise?

 

Mauro Mendes – Eu não concordo com essa postura do nosso presidente. Essa pandemia é séria. Ela causa grandes transtornos na economia mundial. Ela causa grandes transtornos na vida das pessoas. Ela está ceifando vidas no Mundo inteiro e já começa a fazer isso aqui no Brasil. Porém ele tem um pouco de razão, não na forma, mas no conteúdo, quando diz que é preciso ter mais cuidado com as nossas medidas para não criar um caos econômico que vai trazer muita dor e muito sofrimento para os brasileiros.

 

MidiaNews – Quando o presidente fala que o brasileiro é forte e aguenta coisas piores que uma “gripezinha”, o senhor não acha que ele incentiva a população a sair de casa sem tomar os devidos cuidados?

 

Mauro Mendes – Eu não quero neste momento ficar julgando o nosso presidente. Neste momento nós temos uma grave crise na saúde pública que vai gerar uma grave crise econômica nesse país e não podemos fazer disso também uma grave crise política. A combinação desses três fatores pode ser explosiva e aí sim matar muito mais gente. Por isso não vou ficar, neste momento, criticando o nosso presidente. Muito embora eu não concorde e tenho o direito não concordar com algumas posições e até pensamentos que ele possa ter.

 

MidiaNews – Como o senhor vê a possibilidade de se adiar as eleições de outubro? Acredita que a crise econômica terá impacto eleitoral?

 

Mauro Mendes – Quando eu propôs aqui o adiamento das eleições suplementares em Mato Grosso, fui criticado por alguns poucos setores da política e até mesmo da sociedade. Eu fui capaz de enxergar aquilo eles não conseguiram enxergar naquele momento. Precisou passar duas semanas para que todos enxergassem aquilo que lá atrás para mim era óbvio. Quanto às eleições de outubro, para mim ainda é cedo para tomar essa decisão. Essa hipótese é provável, dependerá de quanto tempo nós teremos esse surto em escala maior no nosso País. Se durar mais que dois ou três meses, certamente essa possibilidade poderá ser colocada em prática.

 

MidiaNews – O prefeito de Cuiabá Emanuel anunciou que deve manter as medidas estabelecidas por ele em detrimento do último decreto do Governo. O senhor não acha que, neste momento, é necessário deixar as divergências políticas de lado para caminhar juntos nas decisões?

 

Mauro Mendes – Olha, eu convidei o prefeito de Cuiabá, ele esteve aqui com a prefeita de Várzea Grande. Tivemos um diálogo sensato, coerente e propositivo. Cuiabá e Várzea Grande são importantes, são gestões plenas. Já fui prefeito de Cuiabá. Cuiabá tem a maior rede pública contratualizada com o SUS. Recebe dinheiro do Governo Federal para isso. Recebe dinheiro do Governo do Estado para isso e pode e deve prestar importantes serviços nesse momento de pandemia.

 

Eu não estou e nunca estive de picuinha com o prefeito. Temos as nossas diferenças? Temos. Mas eu estou aqui para trabalhar para o povo de Mato Grosso. Não estou preocupado com nenhuma questão política neste momento. Nunca coloquei e jamais colocarei qualquer divergência política acima dos interesses da população do meu Estado. 

 

MidiaNews – Mas há muitos empresários estão com dificuldades de entender qual decreto deve seguir, se o da Prefeitura de Cuiabá ou do Governo do Estado.

 

Mauro Mendes – Os empresários têm que escolher uma opção. Nós não recomendamos o fechamento do comércio. Nós recomendamos sim as medidas de higiene, de segurança e de distanciamento social que estão preconizadas nos protocolos do Ministério da Saúde. Eu volto a fazer aquela pergunta inicial. Se com o primeiro caso, nós paramos tudo em Cuiabá, daqui a 15 dias quando terminar o decreto dele [Emanuel Pinheiro] nós teremos provavelmente 50 casos. E aí, vamos ficar quantos dias com tudo parado? O transtorno que isso vai causar a milhões de cuiabanos é muito grande. Por isso, as medidas precisam ser tomadas na hora certa de acordo com os protocolos internacionais e do Ministério da Saúde.

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MidiaNews – Os poderes vão ajudar com algum valor de seu duodécimo para o combate ao coronavírus? Está em seu radar a redução de repasses nesse período?

 

Mauro Mendes – Na segunda-feira nós tivemos uma reunião com os presidente de todos os poderes. Apenas o chefe do Ministério Público, por motivos pessoais, não conseguiu comparecer. Mas nós estamos dialogando com todos. Precisamos do apoio de todos. É importante que neste momento que exista uma união e uma sinergia. União e sinergia se constrói com constante diálogo. Estamos dialogando constantemente com todos.

 

MidiaNews –  O Ministério Público Estadual, Federal e do Trabalho fizeram uma recomendação para que o senhor suspenda seu último decreto citando que essas medidas podem levar a morte de 8 mil mato-grossenses (na sexta à noite o MPE ingressou com uma ação contra o decreto 425/2020). 

 

Mauro Mendes – A Organização Mundial da Saúde e o próprio Ministério da Saúde têm protocolos. Eu não sei de onde eles arrumaram esse estudo, eu desconheço a fonte que cita esse número. Esse estudo aponta que no Brasil vão morrer 610 mil pessoas. O Brasil será o maior case da história mundial de morte segundo esse estudo. Eu não sei onde eles arrumaram esse estudo. Respeito, mas não são esses os dados que o Governo trabalha internamente e nós estamos tomando as providências para atender a nossa população. Agora, nós não mandamos parar por enquanto nenhuma atividade econômica. O Governo tem segurança da sua posição.

 

MidiaNews – Caso a pandemia perdure muito tempo, o senhor já tem uma projeção de quanto será a queda na economia do Estado?

 

Mauro Mendes –  Para o próximo mês, nós já trabalhamos com uma projeção de 25% de queda na receita.

 

MidiaNews – O senhor enviou ao Legislativo um pedido de empréstimo de pouco mais de R$ 500 milhões para construção de pontes. Não acha inadequado contrair este empréstimo neste momento?

 

Mauro Mendes – Claro que não! Você acha que nós não teremos dias após essa crise? O Mundo vai acabar por causa dessa crise? Não. Eu já estou fazendo justamente para sair dessa crise, para Mato Grosso não afundar numa grande crise econômica. Se nós conseguirmos esse recurso, teremos obras nos 141 municípios. Nós vamos melhorar a logística em todas as estradas vicinais. Vamos melhorar a logística em todas as estradas estaduais, tirando as pontes de madeira. Isso vai gerar emprego, vai movimentar a economia. Material de construção, alimentação… Uma cadeia gigante será acionada investindo R$ 500 milhões, além dos benefícios dessas obras. Nós teremos um dia e uma vida inteira após essa crise. Temos que pensar nisso.

 

MidiaNews – O Governo do Estado vai conseguir ajudar os mais pobres, os mais afetados pelo vírus?

 

Mauro Mendes – Na segunda-feira (30) nós iremos anunciar algumas medidas na área de assistência social e também para as empresas do Estado.

 

MidiaNews – Qual mensagem o senhor gostaria de passar para a população neste momento de pandemia?

 

Mauro Mendes – Uma mensagem de otimismo. Eu acredito muito no Estado de Mato Grosso, esse Estado é um Estado que tem muita potencialidade, que tem muita gente guerreira. É um Estado que tem uma baixa população. A Itália tem 200 habitantes por quilometro quadrado. Nós temos 4 habitantes por quilômetro quadrado. As nossas características são muito diferentes de outros países que estão sofrendo muito com essa pandemia. Nós temos que tomar todas as medidas e o Governo está tomando. Estamos dialogando com os prefeitos para que nós possamos fazer um trabalho prevenção, restringindo o convívio social e também um trabalho para mitigar eventualmente aquelas pessoas que se contaminar e precisar da nossa rede pública de saúde.

 

Mas eu acredito muito em Deus, no trabalho e que nós vamos superar mais essa grande dificuldade que nós estamos vivendo no Mundo, no Brasil e deveremos viver também em Mato Grosso.

 

MidiaNews – O senhor comparou a densidade demográfica da Itália com Mato Grosso. Para o senhor, Mato Grosso não deve ser atingido com o vírus como na Itália.

 

Mauro Mendes – Se nós seguirmos a mesma linha da Itália, deveremos ter nos próximos 55 dias, conforme um estudo realizado essa semana, 4.300 infectados. Se nós tivermos 4.300 infectados, 20% disso são 860 pessoas, que vão para o hospital. E 5% – 215 pessoas – vão precisar de UTI. Se nós nos comportamos como a Itália, que é o pior caso hoje no Mundo, a nossa rede pública e privada terá condições de atender a todos os mato-grossenses.

 

MidiaNews – Quantos leitos de UTI a rede pública e privada de Mato Grosso possui?

Mauro Mendes – UTIs da rede privada 609. UTIs do SUS 487. UTIs do Governo de Mato Grosso 69 e mais 100 que serão inauguradas nos próximos 45 dias. Leitos de enfermaria da rede privada 1.679. Leitos de enfermeira do SUS 3.983. Leitos de enfermaria do Governo do Estado 421 e mais 200 que serão inaugurados nos próximos 45 dias. O tempo médio de internação pelo coronavírus é sete dias. E o tempo médio de internação na UTI é 20 dias.  É uma boa estrutura.

 

FONTE: MIDIANEWS

 

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