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Delegados negam pressão para investigar EP, mas admitem “transferências políticas” na PC de MT

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A Comissão de Segurança Pública e Comunitária da Assembleia Legislativa ouviu na tarde desta terça-feira (14) os delegados Flávio Stringueta, Anderson Veiga e Lindomar Tóffoli sobre a denúncia feita pelo prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), sobre suposto uso político da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). A denúncia do prefeito aponta que o aparato estatal estava sendo utilizado para “perseguir” sua gestão por meio de investigações da Polícia Civil.

O depoimento “mais contundente” partiu de Tóffoli. Ele afirmou que já foi, duas vezes, transferido da Delegacia Fazendária por questões políticas.

A primeira delas ocorreu em 2014 e admitida pelo governador à época, Silval Barbosa. “Em sua delação, ele disse que foi pressionado por um então deputado estadual por conta de uma investigação que eu conduzia sobre cartas de crédito. Inclusive, admitiu que ameaçou o então delegado-geral pedindo a minha saída da Defaz”, relatou Tóffoli, que admitiu ter aceitado a remoção para a Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE) “em silêncio”.

A segunda vez que sofreu a interferência ocorreu na atual gestão. Ele afirmou que investigava fatos inerente ao atual Governo quando foi afastado da Defaz e removido para a delegacia regional de Várzea Grande.

O delegado citou ainda que conduzia investigações contra aliados da atual gestão do Governo. “Não posso passar detalhes porque o caso está sob sigilo, mas era investigado. Quando falaram comigo, passaram detalhes, o que assustou”, afirmou o delegado, que preservou o nome do informante.

Também citou ter comandado operação contra políticos aliados do Executivo. Um dos alvos era o médico José Geraldo Riva Júnior, irmão da deputada Janaína Riva, que estaria utilizando um certificado falso para atuar no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). “Criticaram nossa operação, mas precisavámos da operação para ter o fator surpresa, eles nunca iriam apresentar os documentos falsos caso fossem solicitados”, explicou o delegado sobre a operação.

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O delegado afirmou que este tipo de pressão pode ter superlotado outras delegacias especializadas ou, até mesmo, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado). “É fácil verificar se houve interferência. Porque, pressionados, os servidores podem ter repassado as denúncias que recebem para outras especializadas ou até mesmo o próprio Gaeco. Aí enchem de casos o Gaeco, concentra tudo lá, e isso começa a ser apurado de forma lenta”, alertou o delegado.

Além disso, o delegado sem dar muitos detalhes também admitiu que passou por “situações constrangedoras” junto ao delegado-geral da Polícia Civil, Mário Dermeval.  “Sim. São situações que as vezes acontecem, a gente não espera. Mas passou já. Havia uma pessoa na sala. Não posso falar, deixa quieto”, afirmou, destacando que este caso é investigado em sigilo pela Corregedoria da Polícia Civil.

SAÍDA POLÍTICA

Outro delegado que deixou a Defaz, supostamente, por motivações políticas é Anderson Veiga. Ele admitiu que sua saída da especializada não ocorreu de forma transparente. “Não foi tranquila e não me recordo de ter passado por uma situação dessa natureza”, afirmou, destacando que acredita ter sido por questões políticas. “Está no campo da ilação, mas acredito que sim [motivações políticas]. Mas compete uma apuração rigorosa para elucidar isso aí. Particulamente, não via nenhum motivo para remoção”, assinalou.

Anderson Veiga relatou que a criação a Deccor (Delegacia de Combate a Corrupção), apontada pelo Governo como motivação para a remoção dos delegados, era algo já planejado em parceria com Ministério da Jutiça e do qual participou. Disse ainda que esperava ser o titular da delegacia, tendo o delegado Sìlvio do Vale passando a assumir a titularidade da Delegacia Fazendária.

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Ele negou ter recebido algum pedido ou pressão sobre qualquer tipo de investigação. “Jamais recebi pressão, porque uma pressão para cima de mim, entendo que não seria muito bom. Mas, a maneira como atuava, poderia não estar muito boa”, pontuou.

Tóffoli admitiu ter se sentido “rebaixado” na PJC, ao deixar uma especializada do porte da Defaz para comandar a delegacia regional de Várzea Grande.

INDEPENDÊNCIA

Outro delegado que prestou depoimento na Comissão de Segurança da Assembleia foi Flávio Stringuetta. Ele, que foi afastado recentemente da GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado) após tecer críticas ao Ministério Público Estadual, admitiu que existe uma pressão “natural” aos membros da Polícia Civil. “Isso ocorre porque a Polícia Civil é muito subordinada. Não há independência financeira da Polícia Judiciária Civil”, frisou.

Sobre a possível pressão para investigar o prefeito Emanuel Pinheiro, Stringuetta disse não ter conhecimento porque não atuava na Delegacia Fazendária.

O CASO

Na denúncia, Emanuel acusa o Governo do Estado de pressionar o delegado-geral da Polícia Civil, Mário Dermeval, a abrir procedimentos de investigação contra ele por motivos políticos.  O caso passou a ser investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.

Em junho deste ano, Emanuel também requereu junto ao corregedor-geral da PJC que apure a suspeita de uso político da Delegacia Especializada de Combate a Corrupção (Deccor), por parte do delegado Eduardo Botelho, que estaria alinhado com o governador Mauro Mendes (DEM), seu adversário político, para promover uma perseguição para atingir politicamente sua gestão.

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