MANCHETE

Deputado prevê guerra judicial do VLT de 30 anos e faz apelo a Mendes e Pinheiro

Publicados

em

 

O deputado estadual Wilson Santos (PSDB) declarou que a guerra judicial travada em torno da rescisão contratual do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) envolvendo o Ministério Público, Governo de Mato Grosso e o Consórcio responsável pela obra deve se arrastar por mais três décadas. Diante dessa possibilidade, o parlamentar voltou a elogiar a troca do modal pelo Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande.

“O Ministério Público Federal e Estadual já havia judicializado isso e atualmente há quatro ações tramitando na justiça. Isso não vai acabar tão cedo. É briga para 10, 20, 30 anos”, disse o tucano durante entrevista ao programa Tribuna, da rádio Vila Real (98.3 FM).

As declarações ocorrem em meio às tratativas entre o Executivo e a União para a substituição do VLT para BRT, que, segundo o Governo de Mato Grosso, custará R$ 430 milhões. A troca do modal, que já consumiu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos, foi anunciada pelo governador Mauro Mendes (DEM) às vésperas do Natal de 2020 após a conclusão de um relatório técnico que teria apontado o VLT como inviável para as duas maiores cidades do Estado.

Em agosto de 2017, a obra do VLT foi alvo da “Operação Descarrilho” da Polícia Federal (PF) baseada em investigações do Ministério Público Federal. Na ocasião, a PF descobriu que durante a implantação do modal, em meados de 2012, foram praticados crimes de fraude em licitação, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais. Pouco tempo depois o então governador Pedro Taques (SD) determinou que o contrato com o Consórcio VLT fosse rescindido de forma unilateral. O Consórcio contestou a medida e acionou a Justiça para tentar reverter.

Paralelo a isso, Wilson lembrou que o processo fraudulento envolvendo a escolha do VLT para Mato Grosso. Isso porque, o ex-governador Silval Barbosa, confirmou em sua delação premiada, que o projeto inicial era implantar o BRT, mas houve a troca de modal para viabilizar recebimento de propina na ordem de R$ 18 milhões.

“As pessoas que fizeram isso foram condenadas por fraudarem o relatório que dizia que Cuiabá e Várzea Grande comportavam o BRT. Elas foram condenadas e cumprem pena porque foram tão indecentes que só mudaram o número e a conclusão do laudo. Eles mantiveram o mesmo parecer com o mesmo número”, criticou.

Wilson Santos também disse que a indefinição sobre o modal seria muito mais prejudicial a população, que espera a conclusão da obra abandonada desde dezembro de 2014. “Qualquer um dos dois modais é melhor do que está ai. O que temos agora é um sistema de transporte sucateado, envelhecido, caro e que não tem um nível de satisfação da população usuária. Seja BRT ou VLT, não é essa a discussão. Em qualquer um dos modais, onde é que o governo Mauro acertou? Acertou em ter decidido e essa é grande vitória”, avaliou.

Por fim, o tucano ainda criticou a falta de consenso entre o governador Mauro Mendes (DEM) e o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), que ingressou com duas ações na justiça para impedir a mudança para o BRT nas atuais circunstâncias.

“Não adianta ficar nessa briga. Assim que eu encontrar o prefeito Emanuel Pinheiro eu vou dizer a ele: Você tem que sentar com o governador e se entender em relação a isso. Faço esse apelo: que o governador Mauro Mendes, prefeito Emanuel Pinheiro e Kalil Baracat se entendam em nome da sociedade”, apelou.

TROCA DO MODAL

Ao anunciar a desistência do VLT, que consumiu mais de R$ 1 bilhão e está paralisada desde o final de 2014, o Governo de Mato Grosso garantiu que a decisão foi embasada em estudos e relatórios técnicos. O governador Mauro Mendes também anunciou às vésperas do Natal, que o Estado, através da Procuradoria-Geral do Estado, ingressou com uma ação na Justiça pedindo ressarcimento e indenização, no valor total de R$ 830 milhões, contra o Consórcio VLT e as cinco empresas que o compõem: CR Almeida, CAF Brasil, Santa Bárbara Construções, Magna Engenharia e Astep Engenharia.

No dia 25 de dezembro, o juiz plantonista Bruno D’Oliveira Marques concedeu liminar ao Estado que o Consórcio VLT Cuiabá pague, a título de caução, R$ 683,282 milhões e que num prazo de 15 dias, depois de ser notificado, faça a remoção dos vagões, trilhos e sistemas do modal que já estavam em Cuiabá e Várzea Grande.

POLICIA

POLÍTICA MT

PICANTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA