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EM DIREÇÃO À RUÍNA

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Por J.R. Guzzo

O comentarista político Dennis Prager, um dos mais ativos militantes do pensamento conservador nos Estados Unidos, fez recentemente uma observação perturbadora. “Para aqueles que estão abertos à leitura de pensamentos com os quais podem divergir”, escreveu Prager, talvez seja o caso de anotar a seguinte ideia: “O lockdown mundial é não apenas um erro, mas também, possivelmente, o pior erro que o mundo já tenha cometido”.

Essa noção, diz ele, é tida como algo tão absurdo quanto imoral por todos os que põem fé na posição da maioria dos líderes mundiais, dos cientistas e médicos, dos pensadores e da mídia diante da catástrofe que estamos vivendo hoje. Mas absurdo e imoral, ao contrário, talvez seja justamente aquilo que passa hoje por sabedoria indiscutível. A maneira com que essa gente toda está administrando a covid-19 é, na verdade, o resultado da soma de “trapaça, covardia e imaturidade que dominam hoje o planeta Terra, porque as elites são trapaceiras, covardes e imaturas”, conclui Prager.

Faz pensar um pouco, não é mesmo? É óbvio que não estamos aqui diante de calamidades como a guerra imposta ao mundo pelo nazismo, o Holocausto do povo judeu ou as guerras de religião. A origem disso tudo está na ação de pessoas perversas que tomaram o poder. Na decisão de parar as sociedades para combater a covid-19, a origem do desastre está no erro em escala monumental — e erros desse tamanho não são cometidos necessariamente por gente má, mas por tolos, arrogantes e ineptos. Estes, infelizmente, vivem em grande número entre nós, e ocupam posições de autoridade em toda parte. É insano que 7 bilhões de pessoas nos quatro cantos do mundo, neste exato momento, estejam fazendo apenas aquilo que os políticos decidem que é “essencial” — quem confia a esse ponto extremo em políticos e governos? Quase ninguém, mas é exatamente isso que está acontecendo.

A questão real que se coloca para todos, e que os executores e adeptos do confinamento radical se recusam a debater, é tão antiga quanto o mundo: o remédio para enfrentar a epidemia dá sinais cada vez mais claros de que pode estar matando o paciente. Para salvar vidas, temos de destruir o mundo em que vivemos — é o que estão dizendo e fazendo na prática, com suas decisões diárias, as autoridades públicas e as forças que as apoiam. “Nós podemos estar olhando hoje para a possibilidade de fome em cerca de três dúzias de países”, disse já em meados de abril o americano David Beasley, diretor-executivo da FAO — a insuspeitíssima FAO das Nações Unidas e dos globalistas, irmã gêmea da OMS.

“Há o perigo real de que mais gente possa morrer do impacto econômico da covid-19 do que do vírus em si.”

Nas contas que a FAO tem hoje sobre a mesa, 260 milhões de pessoas vão ser submetidas à fome neste ano ao redor do mundo — o dobro da cifra de 2019.

Não há comparação possível com as 300 mil mortes causadas até agora pela covid-19, nem com os 4,3 milhões de atingidos pelo vírus desde dezembro do ano passado, quando ele apareceu na China. Outros 150 milhões podem ser jogados na pobreza extrema se a economia mundial cair 5% em 2020 — o número mais frequente nas contas que os economistas internacionais estão fazendo, caso seja mantida a paralisia da produção, do comércio e do trabalho.

Desses totais horrendos, quantos vão morrer não de covid, mas de miséria, causada diretamente pela ruína econômica do mundo? Não se trata de salvar “dinheiro”, ou o “capitalismo”, ou os “deuses do comércio”, que devem ceder lugar “às vidas”, segundo dizem os defensores dos confinamentos radicais. Trata-se, justamente, da destruição de vidas. As vítimas, aí, vão morrer como os infectados pelo vírus — só que em câmara lenta, fora dos hospitais, nos lugares desgraçados onde passam a vida.

Só uma guerra nuclear poderia ter um potencial de devastação tão grande como o que vai sendo desenhado pela ideologia do “distanciamento social”. Ela não impõe, como as pessoas ouvem todos os dias, um “mero incômodo” para as classes médias e altas, que deve ser suportado em nome da saúde comum. Impõe, isso sim, a desgraça imediata ou breve para as centenas de milhões de pessoas que vão ficar sem um tostão no bolso, sem trabalho e sem comida suficiente. “Não há dúvida na minha cabeça que, quando olharmos de volta para o que está acontecendo hoje, veremos que os danos causados pelo lockdown vão exceder em muito qualquer economia de vidas”, diz Michael Levitt, professor de biologia estrutural na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford e Prêmio Nobel de Química de 2013.

Países com anteparos sociais fortes e com população que dispõe de recursos financeiros, como ocorre no mundo desenvolvido, têm musculatura para aguentar o tranco.

Mas a maioria dos países é pobre, ou paupérrima, e não tem onde se apoiar. O Brasil está entre eles, como todos sabem. Aqui, os que vivem da classe média para baixo estão sempre a um passo da miséria total; a qualquer incidente, desabam da pobreza para a fome. Essa gente — que precisa do trabalho diário para ter alguma esperança de melhorar de vida, ou simplesmente de permanecer vivo — teria menos direitos que as vítimas do vírus? A maioria dos governantes brasileiros acha que sim. Quem está recebendo o sustento sem a necessidade de trabalhar também — uma grande parte dos 12 milhões de funcionários públicos de todos os níveis, os que vivem de renda, os ricos em geral. Por que iriam se preocupar com os pobres? Eles não existem, não têm rosto, nem nome, nem alma — são vultos que passam na rua e não deixam registro; já estão todos mortos.

“No mundo todo estão fazendo como aqui no Brasil”, dizem dez entre dez adeptos do “fique em casa”. Pois é justamente esse o problema: e se o resto do mundo estiver errado? Não seria a primeira vez, como a História está cansada de mostrar.

Em direção à ruína

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19 Comentários

19 Comments

  1. Orlando Pagnussatti

    16/05/2020 - 22:14h às 10:14 pm

    Não ficou esclarecida a solução que deveria ser adotada.

    • Romeu Babosa Junior

      17/05/2020 - 11:08h às 11:08 am

      Está implícito no teor do texto!!!!

      • Marli Souza

        18/05/2020 - 11:26h às 11:26 am

        Sim, de forma clara e explícita

    • María Luiza Torres de Barros

      17/05/2020 - 12:28h às 12:28 pm

      Que forças titânicas são essas que se impõem sobre nossa impotência?
      Que fazer senão sentar, chorar e orar?

      • ELY FALEVE PRENTICIMO DE ARAUJO

        20/05/2020 - 06:44h às 6:44 am

        [13/5 10:01] Bom Sc9: AGORA EU PERGUNTO CADE AS FORÇAS AMADAS SO MANDA RECADO MAIS NÃO CUMPRI A NOSSA CONSTITUIÇÃO ESTÃO DEITADOS EM BERSSO ESPRENDIDO ESTES GOVERNADORES JUNTOS COM RODRIGO MAIA E ALCOLUMBLE E SENADORES E STF ESTAS IENAS FAMINTAS E ESTES ABUTRES AVES DE RAPINAS QUERENDO DE QUALQUER MANEIRA FAZER O IMPEACHMENT DO NOSSO QUERIDO PRESIDENTE JAIR MECIAS BOLSONARO ESTÃO
        FAZENDO REUNIÕES COM STE EMBAXADOR COMUNISTA QUE DENEGRIL O NOSSO PRESIDENTE AÍ EU ESTOU PERGUNTANDO AS FORÇAS AMADAS VOCÊS ESTÃO DO LADO DOS COMUNISTAS O DO LADO DA NAÇÃO BRASILEIRA SE ESTÃO DO LADO DO NOSSO QUERIDO BRASIL PORQUE VOCÊS ESTÃO DE BRAÇOS CRUZADOS NO MEU PONTO DE VISTA ESTA FALTANDO UM GENERAL QUE TENHA UM CULHÃO ROXO PRA COLOCA OS TANQUES NAS RUAS PRA FAZER UMA FAXINA GERAL CHEGA DE APANHAR E CHANTAGIAR O GOVERNO QUE NO MEU PONTO DE VISTA ELE FOI ELEITO COM MAS DE 70 MILHÕES DE VOTOS
        VOCÊS FORÇAS AMADAS NÃO ESTÃO CUMPRINDO A NOSSA CONSTITUIÇÃO O POVO ESTA COM VOCÊS O QUE ESTA FALTANDO O POVO ESTA CANSADO QUER QUE VOCÊS CUMPRE A NOSSA CONSTITUIÇÃO SELVA AÇO.
        [13/5 10:02] Bom Sc9: https://youtu.be/iuzjThLDZ80
        [13/5 20:33] Bom Sc9: https://youtu.be/nhq1QwEzS2c

    • Jeronimo Castro

      17/05/2020 - 19:06h às 7:06 pm

      Mais óbvio do que isso, impossível. É claro que o texto quer dizer que o isolamento e um equívoco, ou seja, não deveria haver isolamento.

      • Alexandre Araújo Cavalcanti

        19/05/2020 - 06:13h às 6:13 am

        .o cinismo inconsequente observado no riso dos que são detentores do poder, não deixa dúvida alguma quanto a rapinagem justificada em todos os atos praticados. tudo pelo poder. milhões de mortos não são contabilizados corretamente. observado o desespero de um povo excessivamente pacífico: até quando? estão conseguindo colocá-lo pouco a pouco numa posição de descrença de si mesmo. aguardemos as consequências nefastas do inconsequente desmazelo. será paga a conta com muito suor, sangue e vidas através de gerações.

    • José Carlos Corrêa

      18/05/2020 - 17:14h às 5:14 pm

      Como o ocorreu em Maringá.PR, liberou tudo, todos obrigados a usar máscara e aposentados acima de 60 anos na quarentena.

  2. Romeu Babosa Junior

    17/05/2020 - 11:06h às 11:06 am

    Exatamente o que penso!! Só não entendo porque sendo tão óbvio que a desgraça será sem precedentes em se mantendo estes procedimentos, isolamento horizontal e/ou lockdown; nossos políticos agora donos da verdade absoluta do confinamento não escutam o outro lado da “ciência”??? Não creio que sejam ignorantes e sim que têm interesses outros!!!! Triste!!!!

    • Osiel Lavor

      20/05/2020 - 15:33h às 3:33 pm

      Que ciência afirma o contrário de que o lockdowm até o achatamento da curva de contágio e de mortes não é a medida mais sensata? Quais são os cientistas que afirmam o contrário? Não temos o exemplo da Itália, especificamente de Milão? É sabido que o prefeito de Milão emplacou a campanha “Milão não pode parar.” Ele pessoalmente divulgou videos da campanha em suas redes sociais. O que aconteceu algumas semanas depois? Pedido de desculpas pelo imperdoável: explosão de contágios e de mortes em massa. As desculpas não trouxeram as vidas perdidas.

  3. Antônio Roxo

    17/05/2020 - 12:59h às 12:59 pm

    Qual é a proposição do articulista para a situação? Lembrando que os mais pobres também seriam os mais atingidos pela disseminação do vírus.

  4. Hélcio Padrão

    17/05/2020 - 14:07h às 2:07 pm

    Guzo, parabéns pela coragem de falar a verdade! Será que o Estadão publicaria a mesma opinião?
    Precisamos abrir os olhos e promover o debate. Toda unanimidade é birra, pois descondsidera outros pontos de vista

  5. Sebastiao Ribeiro

    17/05/2020 - 20:18h às 8:18 pm

    1) É de grande arrogância achar que uns poucos donos da verdade vão acertar e o mundo todo vai errar. Quando isto aconteceu? 2) Também é repugnante colocar-se na mesma balança vidas humanas e decrescimento do PIB, que para os pobres não significa nada pois a parte que lhes cabe é ínfima. 3) Se a possibilidade de acesso à comida for fechado por falta de dinheiro será hora da humanidade reorganizar os fluxos de alimentos e atender aos desprovidos. Não vejo como a produção agrícola possa ser afetada pelo lockdown a não ser por uma questão de mercado que é fictícia. Se houver fome num país como o Brasil, mega exportador de grãos e carne bovina então podemos mesmo achar que o mundo acabou.

    • LUIZ TARCISO COELHO BEZERRA

      18/05/2020 - 01:42h às 1:42 am

      Homens inteligentes divergem sobre ideias inteligentes e respaldados em ponderação e bom senso. Inconsequência de qualquer parte impede decisões acertadas. A força bruta só maltrata e nunca resultará em bem para todos.

    • Anny

      18/05/2020 - 16:23h às 4:23 pm

      A produção agrícola pode não ser afetada, mas corre o risco de ficar na fazenda,apodrecendo, sem transporte e sem comercio para ser vendida, enquanto não consegue chegar à população faminta, presa em casa e muitas vezes, sem dinheiro e sem emprego.

    • Marco Carvalho

      18/05/2020 - 16:34h às 4:34 pm

      Questão de mercado fictícia? Você acha que o produtor rural tem custo zero? Que recebe gratuitamente seus insumos? Que não precisa de compradores para seus produtos?

    • Flavio

      22/05/2020 - 09:05h às 9:05 am

      O sua MULA PETISTA, deixa de ser IGNORANTE! NÃO é porque o Brasil é um grande exportados de cereais que o brasileiro não vai morrer de fome. Ou você acha que o produtor gasta uma grana para produzir e depois vai dar o produto de graça? Não é para ser uma quarentena absoluta, é para ter um meio termo. As duas coisas são importantes: saúde e economia. Mas temos uma parte da sociedade, veículos de comunicação, políticos de esquerda, SUPREMO CHANCELADOR DE BANDIDO e afins contra um governo eleito DEMOCRATICAMENTE e APOIANDO “o quanto pior, melhor. Isso é VERGONHOSO, pois no momento que vivemos é para o povo mostrar UNIÃO e não ficar na janela dizendo que o NOSSO presidente é GENOCIDA. Imaginem então o LULADRÃO, que disse que foi um bem da natureza o CORONAVIRUS ter surgido. É esse o nível dos nossos políticos. Algum PETISTA FANÁTICO vai comentar essa frase do MAIOR CORRUPTO do Brasil, LULLA? Sebastião, deixa de ser OVELHINHA PETISTA, seu TELEGUIADO!

  6. Raul Vallr

    17/05/2020 - 22:05h às 10:05 pm

    A perspectiva é absoluta e tecnicamente realista. A tragédia maior está por vir.

  7. ELY FALEVE PRENTICIMO DE ARAUJO

    20/05/2020 - 06:45h às 6:45 am

    [13/5 10:01] Bom Sc9: AGORA EU PERGUNTO CADE AS FORÇAS AMADAS SO MANDA RECADO MAIS NÃO CUMPRI A NOSSA CONSTITUIÇÃO ESTÃO DEITADOS EM BERSSO ESPRENDIDO ESTES GOVERNADORES JUNTOS COM RODRIGO MAIA E ALCOLUMBLE E SENADORES E STF ESTAS IENAS FAMINTAS E ESTES ABUTRES AVES DE RAPINAS QUERENDO DE QUALQUER MANEIRA FAZER O IMPEACHMENT DO NOSSO QUERIDO PRESIDENTE JAIR MECIAS BOLSONARO ESTÃO
    FAZENDO REUNIÕES COM STE EMBAXADOR COMUNISTA QUE DENEGRIL O NOSSO PRESIDENTE AÍ EU ESTOU PERGUNTANDO AS FORÇAS AMADAS VOCÊS ESTÃO DO LADO DOS COMUNISTAS O DO LADO DA NAÇÃO BRASILEIRA SE ESTÃO DO LADO DO NOSSO QUERIDO BRASIL PORQUE VOCÊS ESTÃO DE BRAÇOS CRUZADOS NO MEU PONTO DE VISTA ESTA FALTANDO UM GENERAL QUE TENHA UM CULHÃO ROXO PRA COLOCA OS TANQUES NAS RUAS PRA FAZER UMA FAXINA GERAL CHEGA DE APANHAR E CHANTAGIAR O GOVERNO QUE NO MEU PONTO DE VISTA ELE FOI ELEITO COM MAS DE 70 MILHÕES DE VOTOS
    VOCÊS FORÇAS AMADAS NÃO ESTÃO CUMPRINDO A NOSSA CONSTITUIÇÃO O POVO ESTA COM VOCÊS O QUE ESTA FALTANDO O POVO ESTA CANSADO QUER QUE VOCÊS CUMPRE A NOSSA CONSTITUIÇÃO SELVA AÇO.
    [13/5 10:02] Bom Sc9: https://youtu.be/iuzjThLDZ80
    [13/5 20:33] Bom Sc9: https://youtu.be/nhq1QwEzS2c

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Solidariedade, um dever constitucional

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“Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob outra designação, teria igual perfume?” (Shakespeare, Romeu e Julieta).

A nação, infelizmente, alcança os 30 mil mortos, vítimas da pior crise sanitária e epidemiológica experimentada nos últimos 100 anos, em virtude da propagação do Coronavírus – COVID19.

Nesta apocalíptica realidade, solidariedade é a palavra que melhor expressa à faculdade ético-social de dispensarmos aos familiares enlutados, assistência moral, ajuda e compadecimento fraterno para que possam superar de forma mais amena a dor que aflige seus corações diante da partida de seus entes queridos.

Digo que é faculdade ética porque no âmbito das liberdades individuais, não há disposição normativa jurídica que obrigue o cidadão ser solidário àquela família enlutada. Tal sentimento deve fluir do agir moral, inerente às subjetividades do cidadão, de maneira que o particular é livre para decidir ser solidário ou não, sem que isso traduza qualquer censura jurídica, mas, tão somente, censura moral.

Todavia, a solidariedade enquanto faculdade ética para cidadãos comuns, em se tratando de agentes públicos, sobretudo o Presidente da República, transmuda-se para um dever jurídico, de observância obrigatória e que deve pautar a conduta do mandatário geral.

E o fundamento axiológico que impõe esse dever decorre da necessidade de gerir a coisa pública, não a partir das convicções pessoais daquele que exerce o Poder, mas, sim, da Lei, enquanto expressão da vontade popular. É um fundamento nuclear de nossa organização estatal, afinal, se o conceito e a ideia de República significa coisa pública, essa forma de governo deve estar submetida ao império da Lei.

Neste contexto, a Constituição Federal, Lei maior, documento solene e formal o qual o Presidente da República prestou juramento, impôs dentre diversos objetivos, o dever de buscar por meio de políticas e agir público a construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, inciso I). Consequentemente, deflui deste objetivo de matiz constitucional o dever jurídico de o Presidente da República pautar a sua conduta e comportamento com vistas a dispensar as mais de 30 mil famílias enlutadas pelo Covid19 toda a solidariedade. É dever e não faculdade ser solidário e condolente com a tragédia nacional. Não se trata de uma regra de etiqueta, cuida-se de uma obrigação pública.

A vergonhosa omissão do Governo Federal em não declarar luto e colocar a bandeira nacional a meio mastro para solidarizar com a morte de mais de 30 mil pessoas; os passeios públicos desnecessários, o cavalgar perante os simpatizantes do Presidente, o rosário de ofensas desferidas ao banalizar a dor alheia dizendo que tudo não passa de uma gripezinha, que não é coveiro e, pasmem o deboche perante a opinião pública ao dizer que iria realizar um churrasco no auge do isolamento social, são exemplos de condutas incompatíveis com o preceito ético-jurídico do dever de solidariedade.

Longe de realizar um juízo moral acerca do comportamento presidencial, a toda evidência, além da sua insensibilidade, tais comportamentos demonstram o descumprimento do dever ético-jurídico de sê-lo fio condutor responsável por elevar e aperfeiçoar o sentimento de solidariedade cívica da Nação, obrigação inerente ao cargo e função que ocupa ditada pela Constituição.

Jair M. Bolsonaro, uma vez eleito pela vontade popular e tendo prestado juramento a Constituição, deveria abandonar as suas vontades pessoais, pois o cargo que ocupa, temporariamente, não lhe permite exercer a faculdade de dar às favas a tragédia nacional, pelo contrário. A liturgia do cargo lhe impõe o dever de prestar solidariedade, o dever de prestar assistência moral a todas as famílias enlutadas.

Não há margem na República para imprimir no trato público convicções pessoais. Administrar é aplicar a Lei de ofício. É cumprir rigorosamente os mandamentos destinados ao alcance dos objetivos constitucionais, sobretudo o da solidariedade, um simples nome que melhor designa o sentimento necessário, urgente e fundamental para que não nos tornemos uma sociedade de coisificados, mecanizados, robóticos e insensíveis.

Ao particular, a solidariedade é faculdade, entretanto, ao dignitário do poder, ser solidário, é dever.

DIOGO BOTELHO, é advogado.

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