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Fluxo Sem Tabu: projeto criado por estudante quer ajudar pessoas que menstruam

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Fluxo Sem Tabu
Mayara Lista

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Após assistir o documentário ganhador do Oscar Absorvendo Tabu, que conta a história de uma  máquina de absorvente biodegradável em um vilarejo indiano, a estudante do ensino médio Luana Escamilla, 17 anos, percebeu que a menstruação ainda é um grande tabu. 

Quando decidiu pesquisar mais sobre o assunto, se deparou com a pobreza menstrual . No mundo todo, cerca de 1,8 bilhão de pessoas menstruam e milhões delas têm dificuldade ou não têm acesso a produtos, saneamento básico e até mesmo educação para lidar com a menstruação. 

Segundo pesquisa feita pela Sempre Livre, no Brasil 22% das garotas de 12 a 14 anos e 26% entre as adolescentes de 15 a 17 anos não têm acesso a absorventes higiênicos durante o período menstrual.

“Esse documentário me tocou muito e  comecei a pesquisar sobre a pobreza menstrual no Brasil. Muitos assistiram esse documentário e achavam que era só na Índia o problema. Percebi também que as mulheres da minha vida tratavam a menstruação como segredo. Então eu decidi criar uma iniciativa que tanto pudesse distribuir absorventes para mulheres das camadas mais vulneráveis como também democratizar o acesso a informações”, explica a estudante. 

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O Fluxo Sem Tabu 

Em outubro de 2020, Luana lançou o projeto Fluxo Sem Tabu , feito todo por ela. A estudante fala que no começo nem sabia muito bem por onde começar. “Eu fui aprendendo, pesquisando muito, olhando muita coisa. Aprendi como fazer site e criar campanha no instagram. Vale ressaltar que foi um processo de muita pesquisa mesmo porque no Brasil não tem muitos dados sobre a pobreza menstrual. É muito preocupante isso”, acrescenta. 

A estudante fala que depois do projeto, sua visão da menstruação mudou muito. “Eu não tinha vergonha, mas não falava sobre. Eu e minhas amigas conversávamos sobre, mas se tinha algum menino por perto, a gente evitava. Na escola, a gente tinha vergonha de pedir um absorvente, escondia ele, sabe? Agora isso mudou, a minha visão mudou porque tudo isso é um tabu criado pela sociedade e é super normal menstruar”, diz. 

Para viabilizar a iniciativa, Escamilla até o momento tem parceria com três instituições: o Instituto C, o ABCD da Nossa Casa e a Casa Hope. Além disso ela recebe doações individuais através de uma  vakinha virtual e também aceita doações físicas de absorventes na faculdade Faap, em São Paulo. 

Por conta da pandemia não houve nenhuma entrega de absorventes. A ideia da estudante é conversar com as pessoas no ato distribuição. A previsão é que a primeira ação ocorra no próximo mês. “Decidi juntar bastante do começo do projeto até agora, a primeira doação está estimada para o começo de março, mas são mais ou menos 700 pessoas que menstruam que serão beneficiadas pelas doações”, encerra. 

Fonte: IG Mulher

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