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No Whats, delegados se revoltam com denúncia e xingam promotor de MT

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Um diálogo entre dois delegados da Polícia Judiciária Civil (PJC) mostra a “lealdade”, e a “animosidade”, de homens de confiança do ex-governador Pedro Taques, que se referem ao promotor de justiça Mauro Zaque utilizando termos como “vagabundo” e “FDP”. Um relatório preliminar da própria PJC, com base na análise de dados do telefone celular do delegado aposentado e ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, revelou um diálogo entre ele e o também delegado Fausto José Freitas da Silva, que foi secretário na gestão do ex-governador e chegou a ser candidato a suplente na eleição em que Taques disputou o Senado em 2020.

As mensagens trocadas por meio de aplicativos de mensagens instantâneas ocorreram entre os meses de julho e agosto do ano de 2017, durante a gestão Pedro Taques. O aparelho celular foi apreendido no âmbito da operação “Esdras”, deflagrada pela PJC em 2017, e que apurou a suposta tentativa de uma organização formada por oficiais da Polícia Militar de alto escalão pelo ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, além do próprio Jarbas, em registrar o desembargador Orlando Perri por meio de áudios e vídeos por dispositivos ocultos.

Perri foi o relator no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) das investigações que revelaram um esquema de escutas ilegais no Estado, batizado de “Grampolândia Pantaneira”. A “Grampolândia” ganhou as manchetes não só de Mato Grosso, como em todo o Brasil, após uma reportagem do Fantástico expor o esquema de escutas ilegais em rede nacional.

Uma das fontes da matéria foi justamente o promotor de Justiça Mauro Zaque, que denunciou os grampos à Procuradoria-Geral da República (PGR). O esquema colocou o ex-governador Pedro Taques sob pressão sobretudo em razão do envolvimento de pessoas de sua confiança no caso, como seu próprio primo, e então chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

As irregularidades fizeram com que a “tropa” do ex-chefe do Palácio Paiaguás elegesse Mauro Zaque como um inimigo. Rogers e Fausto conversavam sobre a possibilidade do último acumular interinamente o cargo de Secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (antiga Sejudh).

“Meu irmão, depois me fala o que pensou daquela situação. Uma coisa que pensei, não sei se pode, é acumular as duas pastas, se for por um período pequeno, até que haja uma decisão definitiva. Se for pra escolher outra pessoa, não tem problema. Só não queria que fosse uma indicação política, pq ali é um lugar sensível e pode comprometer a imagem do gabinete e do próprio governo”, disse Freitas à Jarbas. Rogers Jarbas, que a esta altura sofria pressão pelo inquérito relatado pelo desembargador Orlando Perri, o aconselhou a acumular os cargos – Freitas também atuava no Gabinete de Combate a Corrupção.

Na sequência, o delegado que estava na iminência de ser nomeado na Sejudh, manda uma mensagem à Jarbas sobre uma manifestação do promotor de Justiça Mauro Zaque. Antes de acionar a PGR sobre o esquema de grampos ilegais em Mato Grosso, o promotor de justiça Mauro Zaque protocolou uma denúncia na Casa Civil sobre a existência dos grampos, no ano de 2015.

Ele foi acusado de fraudar o protocolo desta denúncia pelo próprio governador Pedro Taques. No entanto, o membro do Ministério Público conseguiu comprovar que a sua queixa havia “sumido” dos registros da Casa Civil – comandada pelo primo de Taques.

A manifestação de Mauro Zaque provocou a “ira” dos dois delegados chamando o promotor de “vagabundo” e “FDP”. “Para conhecimento: msg que Mauro Zaque está encaminhando através das redes sociais”, disse Freitas em mensagem à Jarbas ainda nos diálogos do ano de 2017.

Em seguida, Rogers Jarbas dá “boa tarde” ao seu “amigo” e afirma que a manifestação de Zaque é “mais uma ‘pérola’ deste cidadão”. Na sequência, a resposta de Freitas: “Pois é. Belo de um fdp. Só se esqueceu de falar que o próprio governo que determinou a auditoria no sistema de protocolo”, disse Freitas.

Em seguida, hoje a tréplica de Jarbas. “Vagabundo!!” “Este cara não vale nada”.

Após os comentários “elogiosos”, Fausto de Freitas faz uma acusação grave contra o promotor de Justiça , dizendo que um suposto “pistoleiro”, identificado apenas como “Sinézio”, “já teria feito alguns serviços sujos para o Zaque”. O delegado da PJC admitiu que não tinha mais detalhes, mas que ia “tentar levantar mais alguma coisa”.

Rogers Jarbas respondeu apenas com um sinal de positivo para o comentário. Fausto de Freitas já foi considerado o “bombeiro” do ex-governador Pedro Taques.

Delegado da PJC de carreira, ele já ocupou (interinamente) a presidência do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), o Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (GTCC), além da Sejudh. Já Rogers Jarbas teria “devoção” ao ex-governador Pedro Taques, como apontado pelo desembargador Orlando Perri.

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