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O Estado e o monopólio da violência

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O primeiro genocídio do século XX ocorreu em abril de 1915: o governo turco dizimou mais de um milhão de armênios desarmados. Eis a palavra-chave: “desarmados”.

As estimativas não-turcas falam em algo entre 800.000 e 1,5 milhão de armênios mortos.

Os armênios eram facilmente identificáveis. Alguns séculos antes, os invasores turcos os haviam forçado a acrescentar o “ian/yan” aos seus sobrenomes. Como os armênios estavam dispersos por todo o império, eles não possuíam o mesmo tipo de concentração geográfica que outros cristãos na Grécia e nos Bálcãs. Eles nunca organizaram uma força armada para oferecer resistência. E isso os levou à destruição.

Outros governos perceberam que esse truque funcionou bem e prontamente tomaram nota.

Lênin desarmou os russos. Stalin cometeu genocídio contra os kulaks ucranianos durante a década de 1930. Pelos menos seis milhões de pessoas foram mortas.

Quando as tropas de Mao Tsé-Tung invadiam um vilarejo, elas capturavam os ricos. Em seguida, ofereciam a devolução das vítimas em troca de dinheiro. As vítimas eram libertadas quando o pagamento era efetuado. Mais tarde, o governo voltava a sequestrar essas mesmas pessoas, só que agora exigindo armas como resgate. Assim que as armas eram entregues, as vítimas eram libertadas.

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Essa mudança de postura — exigir armas em vez de dinheiro — fez com que a negociação parecesse razoável para as famílias das próximas vítimas. Porém, tão logo o governo se apossou de todas as armas, os aprisionamentos e as execuções em massa começaram.

Nicolae Ceausescu e Fidel Castro confiscaram as armas previamente registradas por regimes anteriores. Pol Pot e Idi Amin fizeram o mesmo.

Carroll Quigley, historiador e teórico da evolução das civilizações, argumenta que a Revolução Americana foi bem sucedida porque os americanos possuíam armas de poder de fogo comparável àquelas em posse das tropas britânicas. Foi exatamente por isso que houve toda uma série de revoltas contra governos despóticos em todo o século XVIII.

Mas tão logo as armas em posse do governo se tornaram superiores, os movimentos e manifestações em prol da redução do tamanho do estado deixaram de ter o mesmo êxito que haviam tido nos séculos anteriores.

Há uma razão por que os governos são tão empenhados em desarmar seus cidadãos: eles querem manter seu monopólio da violência. A ideia de haver cidadãos armados é apavorante para a maioria dos políticos. Afinal, para que serve um monopólio se ele não pode ser exercido? Cidadãos armados impõem um limite natural à tirania do estado.

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Uma década antes do massacre em Ruanda, a revista Harper’s publicou um artigo em que profetizava o genocídio em Ruanda, e por uma razão muito simples: os Hutus tinham metralhadoras; os Tutsis, não. Lembro-me vivamente de, ao ler aquele artigo, ter imediatamente pensado: “Se eu fosse um Tutsi, emigraria o mais rápido possível”.

Genocídios acontecem. Mas não há genocídio quando os alvos estão armados.

O Estado e o monopólio da violência.

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