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O leiteiro e o açougueiro

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Por: João Manteufel

Uma pesquisa de 2015 mostra que a China Comunista será a maior potência do mundo capitalista daqui menos de um século. Nenhuma novidade: tio Karl já dizia que “A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas.” Os métodos de produção chineses, aliás, estão revolucionando o mercado global e sua produção industrial. Um trabalhador chinês rende o mesmo que 2,3 americanos.

– Americanos tem os dedos muito grossos – repete um manager chinês no filme “Indústria Americana”, produção de Obama, indicado ao Oscar 2020 na categoria de Melhor Documentário.

Nessa mesma pesquisa, o qual o Brasil de economia ainda primária semifeudal também participa, ficou evidente que na parte debaixo do Equador não importa muito o rendimento: um trabalhador americano produz o mesmo que quatro trabalhadores brasileiros. Ou seja, um chinês faz mais que oito brasileiros. Se o empregador for o governo então, é um disparate: um americano trabalha 6.8 vezes mais que um brasileiro.

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– “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático” – citaPaulo Guedes.

Não por acaso. Em Mato Grosso, assim como na maior parte do Brasil, vivemos num Estado fictício: se não tiver plano de saúde, morre sem hospital. Se não tiver segurança particular, é assaltado todo dia. Se não tiver escola particular, pouca chance seu filho terá em fazer uma boa faculdade. Mas o que isso tem a ver com o funcionalismo oligárquico, não é mesmo? Cansei de escutar “Eu tenho direito a folgas, a regalias, não tenho culpa de ganhar cinco vezes mais que o mercado privado, eu tenho direito de licença prêmio, sim!” É o famoso FO-D-A-S-E! “Eu passei para o concurso, o amigo político me arranjou a boquinha, não importa. Sou funcionário público! Vou pescar na segunda, vou financiar com juros menores porque não posso ser demitido, vou me aposentar integral. Tá achando ruim? Faz concurso também!” É o mundo narcisista, que torna a frase do Ministro da Economia ainda mais emblemática. Hoje esses mesmos funcionários públicos que apoiavam Bolsonaro, porque o “Brasil precisa de mudanças”, são os mesmos que se sentem ofendido, por um apelido, no mínimo, sincero. São os mesmos que tremem de medo de perder a estabilidade, que morrem de medo de ganhar um salário compatível com a sua profissão, que achou que as mudanças, na real, não seriam mudanças. Faz-me lembrar da parábola das vacas, cansadas de serem exploradas pelo Leiteiro, resolveram aceitar a proposta do açougueiro. Vai Paulo magarefe!

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João Manteufel é pai do João, da Maria e do Francisco.

Publicitário e Cineasta nas horas vagas.

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