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O que é o isolamento vertical contra o coronavírus?

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| Foto: Isac Nobrega/PR

Após as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre os efeitos do novo coronavírus para a economia brasileira, muito tem se falado sobre o isolamento vertical. Mas qual é a diferença entre os isolamentos vertical e horizontal?

Boa parte dos brasileiros neste momento vive em isolamento horizontal por causa da pandemia. Essa medida é adotada quando grande parte da população é aconselhada por médicos e autoridades locais a ficar em casa para evitar aglomerações e com isso reduzir a disseminação do vírus.

O distanciamento social, porém, traz prejuízos à economia, já que muitos comércios fecharam as portas – com exceção dos considerados essenciais -, indústrias paralisaram a produção, escolas e universidades suspenderam as aulas. E essa é uma das preocupações de Bolsonaro. Para ele, o isolamento vertical seria suficiente para impedir a proliferação da Covid-19 no Brasil e não traria tantos prejuízos ao país.

Como funciona o isolamento vertical

Caso o país viesse a adotar essa medida, apenas pessoas idosas e aquelas que têm alguma doença ficariam em casa. Mas as crianças e jovens voltariam às aulas. E os adultos saudáveis retornariam às suas atividades normalmente.

Apenas o isolamento vertical, no entanto, não é recomendado pelos médicos nesse momento. Em primeiro lugar, essas crianças, jovens e adultos saudáveis teriam mais chances de serem infectadas com o novo coronavírus, já que teriam voltado a circular pelas cidades em uma rotina considerada normal para eles e, mesmo sem apresentarem sintomas, poderiam levar a doença para dentro de suas casas e então seus pais, tios e avós e outros doentes – pessoas que fazem parte do grupo de risco – teriam o risco de serem, também, infectados pelo vírus.

Vale lembrar que em cerca de 25% das crianças e adolescentes, a Covid-19 se manifesta sem sintomas, ou com sinais muito brandos, que podem passar despercebidos, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde.

Como em 20% dos infectados há a necessidade de atendimento hospitalar, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive com o uso das UTIs, dependendo da gravidade do caso, nessa situação hipotética do isolamento vertical, essas pessoas poderiam ficar sem atendimento.

É o que tem acontecido na Itália, por exemplo, onde os hospitais estão sobrecarregados e não há capacidade de atendimento para todos.

Outra questão ressaltada pelos médicos é de que o novo coronavírus não faz somente os idosos adoecerem. Nessas pessoas a doença tem se manifestado de forma mais grave, porém, o vírus também infecta crianças, jovens e adultos saudáveis.

Com mais pessoas com a Covid-19, parte dos brasileiros desse grupo teria apenas sintomas de uma gripe comum, ou uma “gripinha”, como disse o presidente. Outra parte, porém, também poderia necessitar de atendimento nos hospitais e poderia não conseguir. As cidades – em todo o mundo e não só no Brasil – não têm capacidade de atender uma demanda tão alta ao mesmo tempo.

Mas, segundo os médicos, qual seria o momento para adotar o isolamento vertical? De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, essa ação deve ocorrer quando já tiver passado o pico de contaminação. Ou seja, quando a curva epidemiológica estiver em baixa. No Brasil, o número de casos tem crescido dia a dia, e a curva continua em alta.

“É o próximo passo [o isolamento vertical, depois de passado o pico de casos]. Mas hoje devemos funcionar só com os serviços essenciais. Neste momento de crescimento franco da transmissão comunitária, a recomendação é para que fiquemos em casa. Quando a curva [de infectados] achatar, começa a se liberar trabalhadores da indústria, do comércio, protegendo os grupos de risco”, disse o infectologista.

Alguns país adotou o isolamento vertical?

Israel, por exemplo, mudou a recomendação à sua população. Anteriormente, apenas pessoas que voltaram de viagem de 16 países deveriam ficar em isolamento domiciliar por 14 dias.

Mas, em 19 de março, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ampliou as restrições de circulação para conter a disseminação da doença no país. No pronunciamento, Netanyahu recomendou que a população fique em casa e que só saia para comprar alimentos e medicamentos. Alguns trabalhadores, com profissões consideradas essenciais, também ficam fora dessa medida.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson inicialmente pediu que os próprios moradores adotassem o isolamento social. Mas boa parte da população não seguiu a orientação e a doença avançou no país. Johnson, então, determinou a quarentena, com suspensão de aulas, fechamento dos famosos pubs e outros estabelecimentos comerciais, como restaurantes, cinemas e academias, por um mês. Após esse período, a situação será reavaliada.

Posicionamento semelhante ao de Bolsonaro foi adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas, até o momento, não há nenhuma orientação de Washington para a adoção de isolamento vertical.

Trump havia orientado que todos os norte-americanos ficassem em casa e declarou emergência nacional. Agora, porém, pensa em reavaliar a medida em três semanas, até a Páscoa.

Alguns governadores e especialistas da área da saúde, porém, temem que o relaxamento do confinamento possa coincidir com o auge da epidemia no país.

Coreia do Sul não adota isolamento generalizado

Diferente de outros país, a Coreia do Sul não adotou isolamento em massa. Apenas as pessoas quem testam positivo para o novo coronavírus são confinadas. Mas isso foi possível devido ao grande número de testes realizados do país asiático. Cerca de 320 mil pessoas fizeram os testes.

Além disso, dizem os especialistas, o país agiu rápido e isolou os primeiros focos da doença. Outro fator foi que a Coreia do Sul se preparou para situações com essa após as 38 mortes causadas por um surto em 2015 causada por uma síndrome respiratória.

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Guedes negocia 40 milhões de testes com parceiro da Inglaterra

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O ministro da Economia, Paulo Guedes.| Foto: Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que negocia 40 milhões de testes para o novo coronavírus com um parceiro da Inglaterra. A declaração ocorreu neste sábado (4) em uma videoconferência com empresários do setor varejista. “Hoje de manhã conversávamos com um amigo na Inglaterra que criou o passaporte de imunidade. Ele faz 40 milhões de teste. Ele coloca disponíveis para nós, brasileiros, 40 milhões de testes por mês”, explicou Guedes. A proposta, diz o ministro, foi encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Guedes disse que os testes em massa seriam aplicados em um segundo momento e, quem não estiver contaminado pelo coronavírus, poderá deixar o isolamento – fora o grupo de risco.”Veja bem, isso não é agora. Agora, nós estamos em isolamento. Nós estamos planejando uma saída”, completou.

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