OpenAI: Musk diz que não leu ‘letra miúda’ sobre mudanças – 30/04/2026 – Economia

OpenAI: Musk diz que não leu 'letra miúda' sobre mudanças - 30/04/2026 - Economia

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Elon Musk discutiu com o advogado de Sam Altman nesta quinta-feira (30) sobre o timing de sua decisão de processar a OpenAI e seu conhecimento sobre o processo de transformação da empresa em uma entidade com fins lucrativos. O debate ocorreu durante interrogatório do dono da Tesla em um julgamento que pode determinar o futuro da OpenAI.

Musk alega que a OpenAI, seu cofundador e CEO Sam Altman e seu presidente Greg Brockman atraíram US$ 38 milhões (R$ 188 mi) em doações e ajuda pessoal, prometendo criar uma organização sem fins lucrativos que priorizaria o desenvolvimento seguro da IA, antes de mudar de estratégia e criar uma entidade com fins lucrativos para enriquecer.

William Savitt, advogado da startup e seus executivos, questionou se Musk havia lido um termo de compromisso que Altman encaminhou em 31 de agosto de 2017 relacionado à mudança da OpenAI de uma entidade sem fins lucrativos para uma entidade com fins lucrativos supervisionada por uma entidade sem fins lucrativos.

“Meu depoimento é que não li as letras miúdas, apenas a manchete”, disse Musk.

A OpenAI alegou que Musk é motivado por uma compulsão de controlar a OpenAI e está amargurado com o sucesso da empresa depois que deixou seu conselho em 2018. Eles também disseram que ele não priorizou questões de segurança enquanto estava na empresa e que está tentando reforçar sua própria empresa de IA, a unidade xAI da SpaceX, que está atrás da OpenAI em número de usuários.

A OpenAI lidera o uso generalizado de IA com o chatbot ChatGPT e vem levantando bilhões de dólares de investidores para desenvolver seu poder de computação antes de um possível IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês).

No processo, Musk busca mudar a governança da empresa e US$ 150 bilhões (R$ 742,4 bi) em indenizações.

Os advogados perguntaram a Musk por que ele não processou a OpenAI antes, e também como e por que ele não percebeu que ela se tornaria uma entidade com fins lucrativos. Savitt apontou várias vezes para emails enviados a Musk por outros fundadores da OpenAI que mostram que eles estavam discutindo a possibilidade de ganhar dinheiro com a empresa em algum momento.

“Sam Altman e outros me garantiram que a OpenAI continuaria como uma organização sem fins lucrativos”, defendeu Musk.

As interações desta quinta ecoaram um tenso interrogatório na terça-feira (28), quando Savitt pressionou Musk sobre mensagens de texto e emails que mostravam que ele às vezes se mostrava aberto a criar uma entidade com fins lucrativos.

Altman e Brockman estavam na sala do tribunal durante grande parte do depoimento de Musk, observando atentamente. Musk foi dispensado após mais de duas horas de interrogatório.

US$ 150 BILHÕES EM DANOS

A OpenAI, fundada em 2015, evoluiu de um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos no apartamento de Brockman para uma empresa avaliada em mais de US$ 850 bilhões (R$ 4,2 tri) que está planejando um IPO.

Musk quer US$ 150 bilhões em indenizações da OpenAI e da Microsoft, um de seus maiores investidores, dizendo que os recursos serão destinados ao braço beneficente da OpenAI. Ele também quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos, com Altman e Brockman removidos dos cargos de diretores e Altman removido de seu conselho.

As acusações de Musk incluem quebra de confiança beneficente e enriquecimento sem causa. A OpenAI disse que criou uma entidade com fins lucrativos para poder aceitar investimentos privados para ajudar na compra de mais poder de computação e no pagamento de cientistas.

Musk acusou a OpenAI de abandonar sua missão de desenvolver IA para o benefício da humanidade.

Steven Molo, advogado de Musk, argumentou no tribunal que o depoimento de especialistas sobre a capacidade da IA de acabar com a humanidade deveria ser uma prova admissível. A juíza respondeu: “Acho irônico que seu cliente, apesar desses riscos, esteja criando uma empresa que está exatamente no mesmo espaço”, referindo-se ao empreendimento de IA de Musk, a xAI.

O julgamento começou na segunda-feira (27) e deve durar várias semanas. As próximas testemunhas deverão ser Brockman e o especialista em segurança de IA Stuart Russell.

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