Passagem aérea sobe 17,8% em março e chega a R$ 707 – 24/04/2026 – Economia

Passagem aérea sobe 17,8% em março e chega a R$ 707 - 24/04/2026 - Economia

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Passageiros pagaram, em média, R$ 707,16 por passagem aérea para voos domésticos no Brasil em março deste ano, 17,8% a mais do que em 2025, informou a Anac (Agência Nacional de Aviação) nesta sexta-feira (24). Em relação ao mês de fevereiro, que teve tarifa real média de R$ 617,78, aumento foi de 14,5%.

O aumento ocorre em meio a crise energética global desencadeada pela Guerra do Irã, que vem afetando o setor aéreo, principalmente por causa da alta do QAV (querosene de aviação) e do risco de escassez de combustível.

Para a Anac, no entanto, a alta de março é considerada “dentro da margem típica de variação no setor, mesmo com o contexto atual de conflitos externos gerando impactos na aviação em âmbito mundial”. A agência acrescenta que a tarifa real média está em processo de queda desde 2023.

A tarifa real média do mês, medida pela agência, considera valores corrigidos pelo IPCA e apenas o preço pago pela tarifa bruta. Variações de serviços extras (despache de bagagem, marcação de assentos e outros) e descontos profissionais não entram na pesquisa.

Se for considerado o valor médio pago pelo passageiro por cada quilômetro voado, indicador chamado de yield, a alta de março de 2026 ante o mesmo mês do ano passado é maior, de 19,4%. Consumidores pagaram R$ 0,5549 por quilômetro no mês.

Dos assentos comercializados em março, 45,4% ficaram na faixa abaixo de R$ 500, enquanto 8,2% dos assentos foram vendidos por mais de R$ 1.500.

PREÇO DO COMBUSTÍVEL

O preço do QAV praticado no período, segundo os dados da Anac, foi de R$ 3,60 por litro, uma redução de 13,7% ante março de 2025 e 17,7% em relação a março de 2024.

No dia 1º de abril, a Petrobras confirmou reajuste de 55% no preço do QAV, em repasse da escalada das cotações internacionais após o início da guerra no Irã. Na ocasião, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirmou que o aumento terá grandes impactos para o setor.

“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, disse em nota a entidade que representa Azul, Boeing, Gol, Gollog, Latam, Latam Cargo, Rima, Sideral e Total Express.

No mundo, companhias já adotam medidas para mitigar a alta dos combustíveis causada pelo conflito. A alemã Lufthansa, por exemplo, cancelará 20 mil voos entre maio e outubro na Europa para economizar combustível.

Uma entidade que representa os aeroportos da União Europeia já afirmou que os locais enfrentarão escassez “sistêmica” de combustível de aviação se o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, não for totalmente reaberto em breve.

No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem trabalhado para tentar conter os efeitos do conflito sobre os preços de combustíveis e passagens aéreas, cujos aumentos preocupam o presidente em ano eleitoral.

No início deste mês, Lula ampliou uma subvenção ao diesel e ao gás de cozinha, e também zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o QAV.

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