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Prefeito de Chapada culpa Padre por expulsão de crianças da praça publica

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Polêmica em Chapada continua…

 Após grande repercussão negativa nas redes sociais e na mídia local do caso envolvendo a dramática retirada dos brinquedos infantis da praça Dom Wunibaldo, em Chapada dos Guimarães, o prefeito Osmar Froner de Mello (MDB) e o Secretário de Finanças, Dagoberto Garcia Belufi (Beto Belufi), após longo silêncio, vieram a público na tentativa de justificar a determinação. Emitiram nota de esclarecimento à população e a imprensa na data de 8/7/2021.

Dando novo contorno ao caso, os administradores municipais, tentando se esquivar da responsabilidade da medida polêmica, culpam agora o padre Diêgo Ferreira Bento, que atende na igreja Nossa Senhora de Sant’Ana. Segundo afirmam, o padre estaria irritado com a presença das crianças em frente à igreja.

O prefeito afirma que o sacerdote teria reivindicado da Prefeitura Municipal, primeiramente na data de 1°/10/2019, a retirada dos brinquedos, bem como a expulsão das crianças do local, alegando que o barulho dos menores causaria incômodo às missas, além de atrapalharem a visão da fachada da igreja. O pedido teria sido reiterado por diversas vezes, até culminar na drástica decisão: nada de brincadeira e algazarra. Brinquedos fora da praça!

As justificativas não param por aí. Dizem na nota que a determinação teria sido dada em cumprimento ao artigo 18 do Decreto Lei n° 25/1937. O artigo em questão diz o seguinte:  “Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto…”

 As pessoas, que há anos trabalham no local, argumentam que não existiria nenhuma restrição por parte do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Nunca viram sequer um fiscal do órgão federal nas imediações, jamais receberam qualquer notificação. Sustentam também que a vedação da lei seria para a colocação de objetos fixos (construções), o que não se enquadraria no caso dos brinquedos, montados e desmontados diariamente, sendo, portanto, objetos móveis. Além de afirmarem ser comum a colocação de palcos e tendas no local, instalados inclusive pela própria prefeitura, contra os quais jamais houve qualquer resistência.

 O debate público, que primeiro se restringiu às redes sociais, chegou publicamente à Câmara Municipal. Na sessão realizada ontem (12/7/2021), a comerciante Raquel Freitas pediu aos vereadores apoio contra o que qualificou como arbitrariedade e perseguição por parte do Prefeito Municipal.

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Em tom de desabafo, a comerciante afirmou: “Eu tenho passado dias terríveis. É dali que eu tiro o sustento da minha casa, que eu coloco comida na minha mesa”. “É perseguição e implicância comigo, eu não sei o porquê”. Apelando para o bom senso dos vereadores, disse “Eu peço a vocês, vereadores, que olhem para esta causa”.

Na oportunidade, foi chamada a atenção para um vultoso relógio do Banco Sicredi localizado no entorno da igreja de Sant’Ana, este, sim, um objeto fixo e em desacordo com a lei em questão, mas contra o qual não há qualquer insatisfação por parte do padre e nem do Prefeito Municipal.

Após sua fala, os vereadores Fabiana Advogada, Jonas Gaudério, Rafael Nilo, Professora Cidú, Kinho e Rosa Lisboa apoiaram a reivindicação e afirmaram na tribuna tentar diálogo com o prefeito para solução do caso. O vereador Jonas Gaudério, manifestando apoio aos comerciantes, lembrou da passagem bíblica “Deus gosta de quem usa pesos justos”, depois de chamar atenção para o ditado popular “pau que bate em Chico, bate em Francisco”. A vereadora Fabiana, disse “dei uma lida na resposta do prefeito e acredito que não há nenhum impedimento [para o retorno dos brinquedos para a praça]” posteriormente complementou “Precisamos achar uma saída para a situação. Estamos passando por uma pandemia, as pessoas precisam trabalhar para comer”.

 A revolta da população nas redes sociais persiste, com uma infinidade de comentários de apoio aos trabalhadores e criticando a atitude da gestão municipal, sobretudo considerando que contra a instituição bancária que utiliza do local para propaganda, não houve qualquer determinação de retirada, seja por parte da prefeitura, seja pelo IPHAN, muito menos pelo padre. O que leva a crer que o problema seja mesmo as crianças.

 Seria verdade que o padre expulsou crianças de uma praça pública ou mais um caso onde o prefeito quer se eximir de sua responsabilidade metendo a culpa no sacerdote?

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1 comentário

1 comentário

  1. Luiz Fernando Falcoski disse:

    Ouviram o Prefeito, seu secretário, os vereadores, o empresários dos brinquedos infláveis, mas ninguém ouviu o padre.
    Acredito que o responsável da matéria deva corrigir está falha em nome de um bom jornalismo.

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