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PROTESTO DE JORNALISTA: MT não tem hospitais nem médicos para tratar Covid-19 mas, só na Casa Civil, Mauro Mendes sustenta 300 barnabés de luxo

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Mauro Mendes: descaso com a Saúde. Foto Gilberto Leite/Secom MT

Em um duro editorial publicado nesta quinta-feira no seu site Boa Mídia, um dos mais prestigiados da blogosfera regional, o jornalista Eduardo Gomes, que se destaca como dos mais atuantes profissionais do Estado, aponta o grave risco de que, em Mato Grosso, nos próximos dias, se registrem milhares de mortes pelo coronavirus, dada a absoluta falta de estrutura do Estado para atender às necessidades da Saúde da população.

Mato Grosso corre o risco de assistir a uma verdadeira carnificina, sem gente para atender aos infectados, que vão correr de um lado pro outro, inutilmente, em busca do socorro médico. Esse é o quadro espantoso que Eduardo Gomes, aos 70 anos, ele mesmo uma vítima em potencial do Covid-19, traça em sua materia.

No contraste, o velho jornalista apresenta o cínico descaso das autoridades públicas, com destaque para o atual governador de MT, o empresário Mauro Mendes que, enquanto nega verbas para a Saúde e outras áreas sensíveis do Estado, desperdiça dinheiro público para atender seus apaniguados políticos. De acordo com Eduardo Gomes, enquanto faltam hospitais e médicos nos mais sofridos municipios da Grande Cuiabá e do interior, Mauro Mendes patrocina uma indecente gastança, acomodando em sua Casa Civil, sob o comando do seu amigo dileto, o também empresário Mauro Carvalho, nada menos que 300 barnabés de luxo, com salários nababescos.

 

 

 

 

Leia a seguir a íntegra do texto escrito pelo experiente jornalista Eduardo Gomes:

Sem hospitais entre nós e o novo coronavírus

Por Eduardo Gomes

 

 

 

Deus escreve certo por linhas tortas. Isso é o que nos ensina a sabedoria popular, que também sustenta entre outros ditados, que:  O pior cego é aquele que não quer ver.

Tudo, absolutamente tudo que acontece em escala no mundo tem seu lado positivo. Isso não exclui nem mesmo a guerra. O homem é responsável por quase todos os acontecimentos, ora de forma direta ora indireta. O novo coronavírus que mata mundo afora e trava a economia global é um fato no contexto humano. Mais dia menos dia ele passará. Virará registro histórico a exemplo de outras epidemias (que à época, por maior que fossem não recebiam o rótulo de pandemia) como aconteceu com a Peste Negra que dizimou milhões na Eurásia entre 1346 e 1353. E o que ficará de ensinamento a Mato Grosso quando a doença dessaparecer,  os sepultamento cessarem, os  nossos poucos hospitais ficarem às moscas, as pessoas perderem o medo, a economia voltar aos trilhos?

O que ficará de ensinamento a Mato Grosso? (Insisto na pergunta).

O povo mato-grossense é átipico. Claro que entre a população há figuras diferentes, mas o perfil coletivo é desanimador. O cidadão não reage em sua defesa e da sociedade; ele permanece calado, não ocupa a mídia e as redes sociais para gritar contra os erros do governo.

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(Ainda) Estamos na zona de conforto em relação ao novo coronavírus, mas se essa doença se instalar em Mato Grosso, de modo capilarizado nos 141 municípios,  estaremos fadados ao adeus, que muitos chamam de morte e até mesmo de óbito.

Mato Grosso não tem leitos hospitalares nem UTIs suficientes para atendimento da população em períodos ditos normais. Imagem se milhares tiverem que buscar enfermaria? Imaginem o que poderia acontecer a todos, indistintamente, e de modo mais dolorido ainda aos residentes em Santa Cruz do Xingu, Rondolândia, Porto Estrela, Reserva do Cabaçal, Gaúcha do Norte, Araguainha, Canabrava do Norte, Novo Santo Antônio, Vale de São Domingos, Ponte Branca, Ribeirãozinho, Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada, Araguaiana, Indiavaí, Figueirópolis D”Oeste, Curvelândia, Glória D’Oeste, Conquista D”Oeste, Nova Lacerda, Castanheira, Nova Bandeirantes, Nova Guarita, Novo Mundo, União do Sul, Santa Carmem, Nova Maringá, Apiacás, Lambari D’Oeste, Barão de Melgaço, Porto Esperidião, Acorizal, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, São Pedro da Cipa, Planalto da Serra, Santo Antônio do Leste, Tesouro, Luciara, Nova Nazaré, Nova Santa Helena, São José do Povo, Itanhangá, Cotriguaçu, Ipiranga do Norte, Salto do Céu, Nova Marilândia, Itaúba, Novo Horizonte do Norte,  Santo Afonso, Tabaporã, São José do Xingu, Carlinda, Nova Monte Verde, Campos de Júlio, Alto Taquari, Ribeirão Cascalheira, Juscimeira, Porto Alegre do Norte, Marcelândia, Alto Boa Vista,  Nova Olímpia, Feliz Natal, Itiquira, Dom Aquino, Paranatinga, São José do Rio Claro, Colniza, Santa Rita do Trivelato, Nova Brasilândia, Campinápolis, Aripunã, General Carneiro, Jauru, Novo São Joaquim, Rio Branco, Cocalinho, Juruena, Pontal do Araguaia, Torixoréu, Pedra Preta, Alto Garças, Santo Antônio de Leverger, Santa Terezinha, Nova Canaã do Norte, Arenápolis, Vera,  Alto Paraguai, Nortelândia  e outros municípios sem a mínima infraestrutura hospitalar, carentes de médicos, de laboratórios e totalmente desassistidos na área da saúde?

Mato Grosso sempre teve receita tributária, jmais deixou de arrecadar. Porém, os recursos que entram no caixa do governo estadual e em prefeituras em boa parte são desviados, ou se destinam a bancar mordomias e a alimentar o empreguismo desenfreado.

 

A um passo do pior e pedindo a Deus que ele não aconteça, vejo o quanto Mato Grosso foi surrupiado e ao mesmo tempo escuto o vento que se faz uvir diante do silêncio da população.

Quantas e quantas promessas ouvimos de políticos sobre construção de hospitais e ampliação da saúde pública, mas tudo em vão. O ex-governador Pedro Taques (2015/18) prometeu hospitais regionais em pontos estratégicos e não os construiu. Qual veículo de Comunicação ou qual político insistiu pra que Taques cumprisse? O Hospital Central de Cuiabá, paralisado há décadas, desafiou os governadores Júlio Campos, Carlos Bezerra, Edison de FreitasJayme Campos, Dante de Oliveira, Rogério SallesBlairo Maggi, Silval Barbosa, Taques, e o atual, Mauro Mendes.

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O novo Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso, não passa de uma obra paralisada num brejo entre Cuiabá e Santo Antônio de Leverger.

Em todas as regiões é visível o abandono da saúde pública. Porém, no Palácio Paiaguas e nas secretarias a mordomia e o empreguismo são marcas registradas. A Casa Civil chefiada por Mauro Carvalho tem quase 300 barnabés de luxo entre suas quatro paredes e seus penduricalhos. A Prefeitura de Cuiabá emprega 17 mil figuras. Governo, Assembleia, prefeituras e câmaras são generosos na distribuíção de verbas pra mídia, quando deveriam priorizar recursos para saúde, educação e segurança.

Onde está a mão pesada da Justiça que não passa a limpo o Escândalo do Detran, que segundo o Ministério Público teria causado um rombo de R$ 30 milhões aos cofres públicos, e dentre os acusados de participação está o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM).

Onde anda o Ministério Público que não consegue levar adiante o Escândalo do Paletó, que mostra em vídeo o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) recebendo maços de dinheiro, a ponto de um cair do bolso de seu paletó? Esse triste episódio foi gravado na sala de Sílvio Corrêa, então chefe de gabinete do à época governador Silval Barbosa. Tanto Sílvio quanto Silval declararam em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal que se tratava de pagamento de propina a Emanuel Pinheiro, que à época era deputado estadual. Em vídeos semelhantes os ex-deputados Ezequiel Fonseca, Alexandre Cesar, Luciane Bezerra, Hermínio Barreto, José Domingos Fraga e Airton Portuguès (auxiliado pela irmã e ex-secretária de Estado Vanice Marques), também recebem dinheiro de Sílvio.

O que foi feito do Escândalo do Maquinário, que foi manchaete em 2010, no último ano do governo de Blairo Maggi?

Como a Justiça conseguiu a proeza de não botar na cadeia deputados federais, senadores e prefeitos que em 2006 ocuparam as manchetes com o Escândalo da Máfia das Ambulâncias ou Sanguessugas?

Se ao invés de escândalos que resultaram em prejuízo aos cofres públicos tivéssemos investimento em saúde pública. Se ao invés de empreguismo o estado em sua amplitude estadual e municipal criassem quadros de servidores técnicos ao invés de manter o inchaço apadrinhado que é sua marca tradicional. Se assim fosse, ao invés do medo que ora ronda a população, Mato Grosso estaria tranquilo e confiante na pronta resposta ao novo coronavírus.

Acontece que a maioria se acomoda em ser o pior cego – aquele que teima em não ver que em Mato Grosso Deus jamais deixou de escrever certo. ainda que por linhas tortas nos textos dos que defendem a vida e o ser humano nesta terra onde não há hospitais entre nós e o novo coronavírus.

 

Eduardo Gomes de Andrade é editor do Boa Midia MT

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