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Quem são os 3 cotados para vice de Bolsonaro e como eles se encaixam no plano de reeleição

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Bolsonaro abraça Damares Alves, uma das cotadas para ser vice na chapa de 2022.| Foto: Alan Santos/Presidência

Ainda faltam dois anos para a eleição presidencial, mas aliados do presidente Jair Bolsonaro já calculam os passos para que ele se reeleja. E isso vai do planejamento das viagens pelo Brasil à futura escolha do vice-presidente na chapa eleitoral de 2022. No entorno do presidente há quem tente convencê-lo a não manter o atual vice, Hamilton Mourão. O argumento é que ele já tem os militares ao seu lado e poderia abrir a chapa para ganhar espaço no eleitorado nordestino, evangélico ou das mulheres.

Nos corredores do Planalto, auxiliares de Bolsonaro negam que o presidente esteja, neste momento, pensando em trocar Mourão. “Não tem lista de possíveis candidatos a vice. Há só especulações de que o sucessor possa ter um perfil diferente do Mourão”, diz, taxativamente, um interlocutor palaciano. Mas, fora da Presidência, na mesma Esplanada dos Ministérios, há o rumor de tentativas de aconselhamento político-eleitoral para o presidente em torno do vice.

A maioria dos potenciais candidatos a compor a chapa de Bolsonaro em 2022 é conhecida da base popular do presidente. Há, por enquanto, três nomes mais comentados que se encaixariam na estratégia para assegurar a reeleição.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, aparece na lista. Seria um nome para avançar no eleitorado feminino, além de garantir votos no segmento conservador. Outro cotado é o deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP), vice-líder do governo no Congresso e um dos nomes mais conhecidos da bancada evangélica. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o terceiro cotado, por sua vez, é do Nordeste – o que poderia garantir votos nessa região.

Leia abaixo quais são os pontos fortes de cada um dos mais cotados para ser vice de Bolsonaro em 2022:

Damares Alves: a vice mulher e conservadora

A ministra da Mulher tem o apoio da ala mais conservadora do governo. Esse mesmo grupo entende que, por isso, ela seria a mais indicada a preencher a vaga de vice. A leitura é de que ela transmitiria ao eleitorado a mensagem de que, no segundo mandato, Bolsonaro terá mais atenção com as pautas conservadoras – deixadas em segundo plano até agora. Poderia, portanto, atrair votos de tanto dos evangélicos quanto dos conservadores.

O fato de ser uma das poucas mulheres no governo no primeiro escalão também poderia jogar a favor. A última pesquisa Data Poder aponta que Bolsonaro é aprovado por 51% das mulheres. A taxa é ligeiramente inferior em relação à aprovação dos homens, de 53%. Mas, em 2018, o presidente teve mais votos do eleitorado masculino do que o feminino. Uma vice mulher poderia reverter a tendência

O problema em lançar Damares como vice é convencê-la a aceitar. Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, a ministra disse não ter aspiração eleitoral. “Pelo contrário, eu morro de medo da urna. A urna dói, machuca. Já pensou? Eu quero morrer feliz, pensando que sou amada. Já pensou se eu concorro a uma eleição e chega lá e não tem os votos? Eu vou morrer infeliz, descobrindo que eu não sou amada. Então eu não quero a urna na minha vida“, declarou.

Marco Feliciano, o evangélico

O pastor-presidente da Igreja Assembleia de Deus/Catedral do Avivamento nunca escondeu o desejo de ser o candidato a vice de Bolsonaro. Ainda em 2019, confidenciava aos mais próximos o desejo de ser escolhido para figurar como na chapa presidencial de 2022. Em entrevistas, chegou a externar isso, chamando de “chapa dos sonhos”.

O problema em uma eventual escolha de Feliciano é que, para os mesmos governistas que analisam as melhores estratégias, ele tem menos condições de agregar votos do que Damares. O deputado é evangélico tal como a ministra da Mulher. Mas não teria os votos femininos que a ministra pode trazer para Bolsonaro.

Outro ponto contra Feliciano é a rejeição que ele tem dentro da própria bancada evangélica. Ele consegue agregar uma parte dos votos, mas há muita rejeição contra ele na cúpula da bancada. Além disso, aliados do presidente entendem que um parlamentar do Sudeste não agregaria muito na busca pelos votos de indecisos. Bolsonaro é dessa região: nasceu em São Paulo e fez carreira política no Rio de Janeiro.

Mas Feliciano poderia oferecer palanque a Bolsonaro em São Paulo, base eleitoral de um de seus possíveis adversários no campo da direita em 2022: o governador João Doria (PSDB). Porém, essa mesma estrutura poderia vir do deputado Celso Russomanno (Republicanos-SP), candidato à prefeitura de São Paulo – caso ele consiga se eleger prefeito neste ano.

Rogério Marinho, o vice nordestino e agregador de partidos

O ministro do Desenvolvimento Regional é tido como um dos nomes mais fortes ao lado de Damares. Rogério Marinho é do Rio Grande do Norte. O ex-deputado federal também é muito respeitado no Centrão. Governistas avaliam que Marinho poderia agregar votos do Nordeste e puxar alianças com partidos de centro. Seria uma espécie de fiador de uma coligação política capaz de ampliar a musculatura política do presidente da República.

Dentro do governo, o nome de Marinho é bem avaliado. E não se limita ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Alcança outros ministérios. Ele também é cotado dentro do próprio Congresso. Mas tudo dependeria de costuras políticas e do desejo do ministro de continuar como um auxiliar ou passar a ser o dono da caneta: Marimho é um forte candidato para disputar o governo do Rio Grande do Norte.

Nas costuras para tentar emplacar um vice nordestino na chapa de Bolsonaro, o deputado General Girão (PSL-RN) corre por fora. “Girão seria um nome para ser vice também, mas o Marinho cai muito melhor”, diz um aliado governista.

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