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Uma eleição metropolitana, por Vinicius Carvalho

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Uma eleição metropolitana

VINICIUS DE CARVALHO

As eleições deste ano em Mato Grosso estão mais animadas e exigindo bastante dos articuladores e observadores. O aspecto que mais tem me chamado a atenção é essa articulação entre as disputas pelas prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, nessa relação entre o prefeito da capital Emanuel Pinheiro, seu filho deputado federal Emanuelzinho e a família Campos.

Desde que começaram as cogitações de uma possível candidatura de Emanuelzinho para a prefeito de Várzea Grande eu considerei que seria uma espécie de plano B, para o caso do seu pai recuar da postulação a um segundo mandato em Cuiabá. Várias alternativas foram cogitadas, mas nenhuma se consolidou e tudo caminha para mais uma vez termos um candidato a reeleição em Cuiabá, quebrando um jejum de 12 anos. Mas, mesmo assim, prosseguem as articulações em Várzea Grande, gerando essa possibilidade inédita de termos pai e filho no páreo nas duas principais cidades de Mato Grosso, sob o critério eleitoral e demográfico.

Sempre estive no grupo daqueles que consideram as duas candidaturas um exagero. Teria que ser um ou outro, para evitar o desgaste da situação. Mas o enfrentamento deste risco político pela família Pinheiro pode estar ligada a algumas situações que pretendo relacionar aqui. A primeira se refere ao perigo que existe para a candidatura de Emanuel Pinheiro vindo do Poder Judiciário. O processo referente à delação do ex-governador Silval Barbosa continua tramitando e muitos entendem que pode vir alguma medida durante a eleição, que possa até tirar Emanuel da disputa. A segunda é, em caso de vitória, que ele fique sub judice durante um possível segundo mandato. A decisão pelo vice-prefeito deverá ser deixada para a convenção na semana que vem. Então, essa candidatura do deputado Emanuelzinho pode ser uma reserva visualizada pelo prefeito para o caso de um afastamento ou mesmo de uma pouco provável derrota em Cuiabá.

Um terceiro cenário é que Emanuel esteja querendo ficar mais independente da família Campos. Na eleição de 2018 ele apoiou Jayme Campos e Adilton Sachetti para senador, com Wellington Fagundes para governador. Houve, portanto, uma quebra na coligação que ele estava apoiando. Um dos termos do acordo foi o apoio dos Campos à candidatura de Emanuelzinho em Várzea Grande. Ele ficou em terceiro colocado no município, com cerca de 11.000 votos. Uma disputa para prefeito agora poderia ampliar esse eleitorado, dando mais densidade para sua reeleição em 2022. Se vier a vitória, será um bônus.

Um quarto cenário é que Emanuel esteja usando essa pré-candidatura de seu filho como uma forma de pressionar a família Campos a intervir mais na eleição em Cuiabá. O governador Mauro Mendes e seu grupo vem conduzindo o processo sucessório no município, até porque é seu domicílio político como ex-prefeito. Tudo caminha para uma candidatura de Fábio Garcia pelo Democratas, numa tentativa de reunir a parcela do eleitorado que rejeita Emanuel. Apesar de Fábio Garcia ser o atual presidente estadual do Democratas, é notória a liderança da família Campos no partido. Talvez Emanuel esteja querendo trazer os Campos para a mesa de negociação lançando um candidato no seu reduto. Se houver recuo essa hipótese fica comprovada.

Por fim, o quinto cenário aponta para um eventual interesse da família Campos em despolarizar a eleição em Várzea Grande, quebrando a dicotomia Campos x anti-Campos. Ela é perigosa para eles nesse momento, porque a sua presença no meio político está muito forte. Uma eventual candidatura do Emanuelzinho somada com Kalil Baracat poderia quebrar essa dicotomia e dificultar para a oposição. Jogo combinado. Veremos.

VINICIUS DE CARVALHO é gestor governamental, analista político e professor universitário

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