Conflito pode comprometer importação de fertilizantes – 22/03/2026 – Painel S.A.

Guerra mostra que estreito de Hormuz não é tão seguro e ressalta sua importância mundial - 21/03/2026 - Economia

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Em estudo sobre o impacto do fechamento do estreito de Hormuz no mercado de fertilizantes, a gestora global ONE Wealth Management aponta que o Brasil está exposto exposto a um choque de custos que pode elevar as despesas das safras 2026-2027 entre 7% e 10%. Em 2025, as importações brasileiras atingiram 45,5 milhões de toneladas.

O país é o maior importador mundial de fertilizantes. Do adubo consumido, entre 85% e 88% vêm do exterior.

Estreito de Hormuz concetra entre 25% e 30% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados. O bloqueio, iniciado em março de 2026 por causa do conflito entre Irã, Israel e EUA, que atinge outros países da região, força o desvio das rotas pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando até três semanas ao tempo de frete e elevando custos de transporte e prêmios de seguro.

A Qatar Energy interrompeu operações em Ras Laffan, o maior polo mundial de GNL e fertilizantes. Isso agravou a disrupção.

O choque atinge o Brasil em dois vetores simultâneos: o custo dos insumos, especialmente fertilizantes e diesel, e a receita de exportação, com o bloqueio do principal mercado importador de frango brasileiro.

Para a safra de verão de soja e milho, com plantio entre setembro e dezembro, o risco é maior, diz o estudo. Os fertilizantes representam mais de um terço dos custos de produção do milho e do trigo. Uma alta sustentada de 20% a 30% nos nitrogenados pode elevar o custo total da safra 2026/27 entre 7% e 10%, acima das estimativas anteriores de 5%. Um bloqueio prolongado no segundo trimestre impede a formação de estoques para a temporada de aplicação. A cana-de-açúcar concentra o risco mais imediato.

A dependência brasileira de fornecedores em zonas de risco geopolítico é estrutural. A Rússia responde por 45% do potássio importado pelo Brasil, sem substituto imediato em escala equivalente. A China domina o sulfato de amônio com participação próxima a 100% e tornou-se o principal fornecedor geral do país em 2025.

O Oriente Médio é a origem de parcela relevante da ureia consumida no Brasil, com Omã, Catar e Arábia Saudita entre os principais exportadores da região para o mercado brasileiro.


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