A empresa de saneamento Aegea diz manter seus planos de comprar da Copasa e de listagem na Bolsa de Valores mesmo depois de anunciar na sexta-feira (10) uma baixa contábil de R$ 5 bilhões em seus números de 2024.
A redução do patrimônio líquido foi resultado de uma reavaliação para baixo no valor de investimentos e ativos financeiros, segundo a companhia.
Os dados vieram acompanhados de um aumento na alavancagem do grupo. A proporção entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou próxima de quatro vezes, o que levantou preocupações de descumprimento de cláusulas em contratos de dívidas que impõem um teto para esse indicador.
Nesta segunda (13), em conferência de apresentação de resultados, o CEO da Aegea, Radamés Casseb, e o diretor financeiro, André Pires, procuraram tranquilizar o mercado sobre a situação da companhia e os planos futuros.
Os executivos disseram que a Aegea chega ao fim do primeiro trimestre de 2026 com R$ 13,6 bilhões em caixa, o que garante fôlego para novas oportunidades. Também destacaram que a projeção em relação à alavancagem é de queda ao longo do ano, considerando que todos os ajustes foram feitos.
Sobre a perspectiva de se listar na Bolsa de Valores, Radamés disse que o processo de reapresentação do balanço de 2024 foi, em grande parte, uma resposta à demanda do mercado por simplificação e transparência antes de uma oferta inicial de ações (IPO).
Uma janela ainda em 2026 já foi considerada pela empresa anteriormente. Agora, a projeção é de que o IPO saia em 2027.
“O horizonte planejado junto com os assessores projetava um alvo para 2027. Ele continua. É um alvo teórico. A expectativa é que a companhia continue se preparando”, afirmou Radamés.
Folha Mercado
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A Aegea, que tem como acionistas a Equipav, o GIC (fundo soberano de Cingapura) e a Itaúsa, também é apontada como uma das principais interessadas na Copasa, estatal mineira de saneamento que deve ser privatizada nos próximos meses.
Durante a conferência, o CEO reafirmou que a empresa segue analisando o ativo e que conta com o suporte financeiro de seus sócios para garantir competitividade no processo .”A companhia continua estudando, à espera do lançamento dos documentos [da oferta da Copasa] e obviamente conta com seus acionistas, tanto para efeito da discussão sobre risco e governança, quanto para capitalização equilibrada para efeito da competição”, disse.
A estratégia é parecida com a usada pela Aegea na privatização da Cedae, no Rio de Janeiro.
Radamés também citou a possibilidade de um arranjo de mercado, como a Aegea fez na privatização da Corsan, em que participou com os grupos financeiros Perfin e Kinea.
BALANÇO REAPRESENTADO
Sobre as mudanças contábeis dos resultados de 2024, Radamés disse que a Aegea passa por um ciclo relevante de crescimento, saltando de 50 para 892 cidades atendidas e de 4.000 para 25 mil colaboradores em cinco anos. Esse movimento, disse, traz mais complexidade e exige aprimoramento nos processos de divulgação financeira.
Pires explicou que as mudanças visam aproximar o resultado contábil da efetiva geração de caixa.
O diretor financeiro admitiu atraso no processo e disse que a Aegea refez a contabilidade de todas as suas concessões, retroagindo cinco anos. “Tivemos que fazer cinco novos balanços para cada uma das concessões”, afirmou.
De acordo com Pires, o processo foi feito nas 40 demonstrações financeiras que a Aegea emite trimestralmente.
DADOS DE 2025 SERÃO REFEITOS
Após rever os dados de 2024, a Aegea agora vai reapresentar os balanços financeiros trimestrais de 2025.
“A partir do momento em que a gente começar a divulgar os trimestres [de 2026], o trimestre do ano anterior vai ser reapresentado”, afirmou Pires.
Segundo ele, os dados de 2026 já vão sair comparados com as informações do trimestre anterior já reapresentadas. Os dados de 2024 não devem ser alterados.
RAIO-X | AEGEA
Fundação: 2010
Municípios onde opera: 893 em 15 estados
Lucro líquido (2025): R$ 856 milhões
Concorrentes: Sabesp, Iguá, BRK Ambiental, Acciona









