Diversificar investimentos não é diversificar patrimônio – 09/05/2026 – De Grão em Grão

Diversificar investimentos não é diversificar patrimônio - 09/05/2026 - De Grão em Grão

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Há famílias com imóveis, investimentos e patrimônio relevante que, ainda assim, enfrentam dificuldades financeiras justamente no momento em que mais precisam de dinheiro. Em muitos casos, o problema não está na falta de patrimônio, mas na forma como ele foi estruturado.

Recentemente, conversei com um cliente que viveu exatamente essa situação. A mãe dele faleceu deixando mais de R$ 10 milhões concentrados em imóveis. O problema é que o inventário do avô, falecido anteriormente, não tinha sido iniciado. Ele praticamente não tinha bens e a mãe atrasou esse processo.

Por ser relativamente nova, acreditava que tinha todo o tempo. Portanto, antes mesmo de iniciar o novo inventário, foi preciso resolver toda a situação patrimonial anterior.

O processo se tornou mais longo, complexo e caro. Apesar do patrimônio elevado, faltava liquidez imediata para lidar com impostos, despesas jurídicas e regularizações. O patrimônio existia. Mas o dinheiro disponível, não.

Além da pressão emocional daquele momento, a família ainda precisou negociar a venda de imóveis em meio à demora dos processos. E, nesses casos, o tempo raramente joga a favor. Compradores percebem urgência, negociações perdem eficiência e o patrimônio que deveria proteger passa a gerar desgaste.

Esse é um exemplo claro da diferença entre diversificar investimentos e diversificar patrimônio ou possuir uma estrutura patrimonial.

Harry Markowitz, pai da moderna teoria das finanças, mostrou que diversificar investimentos reduz riscos porque diferentes ativos reagem de formas distintas aos cenários econômicos. Décadas depois, praticamente todo investidor conhece esse conceito.

O curioso é que poucas famílias perceberam que também existem riscos patrimoniais ligados à sucessão, liquidez, tributação, proteção jurídica e continuidade de renda. E há ferramentas que se comportam melhor que simplesmente ter investimentos em cada uma destas situações.

Por isso, famílias patrimonializadas costumam utilizar diferentes estruturas de proteção patrimonial. Holdings familiares ajudam na organização sucessória. Estruturas internacionais, como empresas offshore com beneficiários definidos, podem aumentar eficiência patrimonial em determinados contextos.

Já estruturas de proteção patrimonial com formação de liquidez, como seguros resgatáveis, cumprem um papel particularmente interessante porque acompanham diferentes fases da vida financeira.

Por exemplo, no início da formação patrimonial, elas funcionam como uma espécie de alavancagem patrimonial temporária. Para cada real contribuído, a família passa a contar com uma proteção financeira muito superior ao patrimônio efetivamente acumulado naquele momento.

De fato, muitos pensam em aplicação financeira apenas, fazendo a conta de quanto podem ter em 30 anos. Mas, esquecem do que pode ocorrer nestas primeiras três décadas. Um seguro resgatável bom costuma ser a melhor alocação de recursos em 30 anos quando se considera o patrimônio deixado caso algo ocorra.

Mais adiante, conforme o patrimônio cresce, essas mesmas estruturas passam também a ajudar na liquidez sucessória, eficiência tributária e preservação patrimonial.

No fundo, a lógica continua parecida com a ensinada por Markowitz. Em uma carteira diversificada, alguns instrumentos tendem a reagir melhor justamente quando outros enfrentam dificuldades.

Na diversificação patrimonial acontece algo semelhante. Existem estruturas desenhadas exatamente para funcionar melhor em momentos de descontinuidade da vida financeira e familiar. A verdadeira sofisticação patrimonial não está apenas em construir patrimônio, mas em garantir que ele consiga proteger a família exatamente quando ela mais precisar.

Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor.


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