A Alphabet, controladora do Google, anunciou que planeja levantar até US$ 80 bilhões em capital próprio para financiar investimentos em infraestrutura de IA (inteligência artificial). O movimento marca uma guinada importante para a empresa, que tem sido uma das maiores compradoras de suas próprias ações em Wall Street.
A captação anunciada nesta segunda-feira (1º) inclui uma venda de US$ 10 bilhões em ações para a Berkshire Hathaway, que vem construindo uma posição na Alphabet desde o terceiro trimestre de 2025.
Essa é a primeira oferta de ações em mais de duas décadas e uma das maiores captações de capital da história da empresa. Medida também marca uma virada para os grandes grupos de tecnologia dos Estados Unidos, que embarcaram em uma onda de gastos sem precedentes para construir a infraestrutura que alimenta a IA.
Até agora, as big techs americanas usaram torrentes de caixa geradas por seus negócios principais e dívida para financiar a maior parte de seus gastos com IA. Mas com a expectativa de US$ 725 bilhões em gastos com IA este ano, as contas começaram a pressionar as finanças das maiores empresas dos EUA.
“A IA está impulsionando um momento de expansão para a Alphabet”, disse a empresa em comunicado, acrescentando que a captação ajudaria a “apoiar a significativa oportunidade de crescimento que temos pela frente”.
A Alphabet reiterou nesta segunda que planeja despesas de capital de até US$ 190 bilhões este ano, com essa cifra devendo aumentar “significativamente” em 2027. Embora seu fluxo de caixa operacional no último ano tenha totalizado US$ 174 bilhões, a empresa também assumiu US$ 85 bilhões em nova dívida para financiar seus gastos. A Alphabet detém mais de US$ 100 bilhões em dívida total.
Os gastos com IA levaram a um crescimento acelerado do Google Cloud, que teve um salto de receita de 63% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, chegando a US$ 20 bilhões.
A Alphabet decidiu levantar capital próprio porque os executivos esperam um período prolongado de investimentos pesados em IA e querem diversificar suas fontes de financiamento enquanto preservam a flexibilidade do balanço, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
As ações da Alphabet caíram mais de 2% nas negociações após o fechamento do mercado.
A colocação privada com a Berkshire elevará a participação da firma de investimentos na Alphabet para aproximadamente US$ 32 bilhões, representando cerca de um décimo de sua carteira de ações. A emissão de ações é uma das maiores das quais a Berkshire já participou.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Isso também tornará a Alphabet uma das cinco maiores participações em ações negociadas em bolsa da Berkshire, ao lado de sua participação de longa data na Coca-Cola, que vale mais de US$ 31 bilhões.
O envolvimento da Berkshire no negócio foi fechado em um período de 24 horas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, e representa uma das apostas mais significativas do CEO Greg Abel desde que ele substituiu Warren Buffett no cargo principal no início do ano.
Além da colocação com a Berkshire, o grupo levantará US$ 30 bilhões por meio de uma combinação de vendas de ações ordinárias e conversíveis, seguidas por até US$ 40 bilhões em vendas no mercado aberto que devem começar no terceiro trimestre.
A maior parte dos recursos dessas últimas vendas cobrirá o custo de uma mudança na forma como a Alphabet lida com impostos sobre concessões de ações a funcionários no momento da aquisição de direitos.
O Goldman Sachs atuou como agente de colocação no investimento da Berkshire, além de atuar como coordenador conjunto na captação de capital ao lado do J.P. Morgan Chase e do Morgan Stanley.









