A Meta informou aos funcionários nessa segunda-feira (18) que está realocando 7.000 funcionários para se concentrarem em novas iniciativas relacionadas à inteligência artificial, a mais recente mudança em uma transformação da empresa impulsionada pela poderosa tecnologia.
Os funcionários serão transferidos para quatro novas organizações focadas na criação de novas ferramentas e aplicativos de IA, comunicou Janelle Gale, diretora de recursos humanos da Meta, em um memorando interno.
As organizações usarão “estruturas de design nativas de IA” e terão menos gerentes por funcionário do que outras áreas da empresa, afirmou ela, acrescentando que os líderes da empresa enviarão detalhes sobre as novas funções nesta quarta-feira (20).
“[A reestruturação] nos tornará mais produtivos e fará o trabalho mais gratificante”, escreveu Gale no memorando. A Meta se recusou a comentar mais sobre as mudanças.
As realocações foram anunciadas antes das demissões de aproximadamente 8.000 funcionários, ou 10% da força de trabalho da Meta, que estão previstas para esta quarta-feira. A empresa, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, empregava mais de 78 mil pessoas no final de 2025. Ela havia informado aos trabalhadores no final do mês passado que alguns de seus empregos seriam cortados como parte do esforço da Meta para ser mais eficiente enquanto investia pesadamente no desenvolvimento de IA.
Em todo o setor de tecnologia, empresas têm enxugado e reorientado suas forças de trabalho na era da IA. Na semana passada, a gigante de redes Cisco anunciou que estava demitindo 4.000 funcionários enquanto dedicava mais recursos à IA. Microsoft, Block e Coinbase também anunciaram recentemente reorganizações como resultado da tecnologia.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, apostou o futuro de sua empresa na IA. A Meta está investindo em data centers para alimentar a tecnologia e acompanhar rivais de IA como Google, OpenAI e Anthropic. Em uma teleconferência com investidores em janeiro, Zuckerberg disse que a empresa planejava gastar de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões este ano, grande parte no desenvolvimento de novas IAs.
Enquanto isso, a Meta reduziu seu trabalho no mundo imersivo do metaverso, uma grande aposta anterior, e demitiu parte da equipe dessa área. A empresa tem incentivado os funcionários a usar IA em seu trabalho diário e começou a incluir o uso de IA nas avaliações de desempenho de muitos funcionários.
No mês passado, a Meta disse que planejava cortar 10% de sua força de trabalho e também fecharia 6.000 vagas abertas.
Os trabalhadores estão apreensivos. Neste mês, uma nova política sobre o treinamento de ferramentas de IA da Meta com dados de funcionários gerou indignação por preocupações com privacidade. A empresa tem realocado funcionários para uma nova organização de IA no período que antecede as demissões.
Em seu memorando, que foi divulgado anteriormente pela Reuters, Gale também mencionou as demissões de quarta-feira. Ela pediu aos funcionários que trabalhassem remotamente nesse dia e disse que e-mails sobre as demissões seriam enviados às 4h (horário local, 8h em Brasília). Funcionários nos EUA receberão 16 semanas de indenização, além de duas semanas extras para cada ano trabalhado na Meta.
“Sabemos que dias como este são extremamente difíceis, e agradecemos por vocês apoiarem uns aos outros”, disse Gale.









