Presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), José Ricardo Roriz Coelho é crítico da atuação da diplomacia brasileira na negociação de tarifas de produtos exportados para os Estados Unidos na seção 301, que pode resultar em taxação de 25%.
“A maioria [dos países que estiveram na mesma situação] se antecipou. O Brasil, não. Empurrou com a barriga”, afirma o dirigente.
Por um ano, o governo norte-americano fez investigação nas relações comerciais entre as duas nações, conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial) com base na seção 301 da lei de comércio norte-americana.
“A diplomacia brasileira deveria ter feito um trabalho mais profissional. Se você olhar, a União Europeia negociou, a Índia negociou, a Coreia do Sul negociou. O Brasil teve uma dificuldade muito grande de fazer esse tipo de negociação”, completa.
O mecanismo da seção 301 permite ao governo americano investigar e retaliar países por práticas comerciais consideradas injustas. O USTR publicou um relatório recomendando uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, em resposta ao que Washington classifica como “atos, políticas e práticas incoerentes” que oneram ou restringem o comércio americano.
O ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), afirmou que, entre os setores que sofreriam o maior impacto da possível tarifa de 25%, estão o de máquinas, equipamentos e plásticos.
A recomendação do USTR alcançaria cerca de 21% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos, segundo o ministro. O plástico entra na pauta como produto acabado, intermediário e insumo. Desde embalagens e filmes de polipropileno a tanques de tubulações de máquinas. Roriz cita indústrias de móveis que exportam sofás para os EUA e o couro é de plástico.
Segundo dados da própria Abiplast, a indústria conta com 14,6 mil empresas em atividade e 404,6 mil empregos diretos. É o quarto maior empregador da indústria de transformação brasileira. A entidade representa o setor por meio de 21 sindicatos estaduais.
Ele coloca na mesa até mesmo a diferença ideológica entre o conservador presidente norte-americano Donald Trump, mais próximo do bolsonarismo, e o governo de esquerda do presidente Lula.
“Temos um custo de produção muito alto. Se o Brasil não conseguir fazer negociação de maneira que nos proteja e nos tire dessa questão eleitoral e ideológica, isso vai fazer com que empregos de qualidade sejam perdidos. Exportações para os EUA são de produtos de valor agregado”, diz ele.
O governo americano ainda deverá ouvir representantes do setor privado e analisar manifestações de empresas e entidades antes de uma decisão definitiva, quando Trump decidirá se a sobretaxa será aplicada.
“Eu acho que a condição para que isso não ocorresse deveria ter sido negociada. Acho difícil ter um retrocesso”, conclui o presidente da Abiplast.
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