As empresas de navegação estão cada vez mais otimistas com o aumento do tráfego pelo estreito de Hormuz depois que mais embarcações atravessam a hidrovia nesta semana. Segundo elas, os EUA têm forcenido informações importantes para orientar aqueles que buscam realizar a travessia.
Pelo menos duas companhias, que pediram para não ser identificadas, disseram estar em contato com as forças militares americanas, que os orientaram sobre a melhor forma de navegar pela rota marítima.
Um porta-voz do Comando Central dos EUA disse que os recursos militares americanos não são suficientes para escoltar os navios, mas que o órgão continuará auxiliando embarcações comerciais a transitar na região.
Uma pessoa com conhecimento da situação disse que um grupo de embarcações foi abordado por lanchas supostamente iranianas durante uma viagem. Os veículos foram afastados por helicópteros que apareceram repentinamente nas proximidades, permitindo que as embarcações continuassem seu trajeto, segundo ela.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, disse à Bloomberg na sexta-feira (29) que algumas embarcações em trânsito pela hidrovia foram atacadas recentemente. No mesmo dia, os EUA afirmaram que acordos com o Irã para navegar com segurança pelo estreito de Hormuz —mesmo aqueles que não envolvem o pagamento de pedágio— são proibidos.
Alguns dos navios que cruzaram pertencem a empresas que não transitavam por Hormuz desde o início da guerra no Irã, de acordo com várias pessoas envolvidas nos mercados de navegação. Duas pessoas disseram que alguns navios estavam entrando no Golfo Pérsico, além de saindo.
Se mantido, o aumento nas travessias pode sinalizar que mais empresas estão dispostas a fazer a viagem, impulsionando o fluxo de tudo, desde petróleo e gás até bens de consumo. Até agora, as travessias foram limitadas em grande parte a embarcações operando sob acordos governamentais bilaterais ou pertencentes ao pequeno grupo de empresas dispostas a aceitar os riscos de navegar por Hormuz.
Países da região, incluindo a empresa estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, também enviaram navios para o estreito, enquanto o Qatar está exportando discretamente gás natural liquefeito (GNL).
Algumas das embarcações que cruzaram nos últimos dias o fizeram com seus transponders desligados. É um sinal de que os métodos convencionais de rastreamento de embarcações podem não identificar quantos navios estão fazendo a viagem.
Folha Mercado
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Dados de rastreamento de navios mostram que pelo menos um quarto dos navios não iranianos retidos em Hormuz desde o início do conflito conseguiram sair.
A Casa Branca tem enviado mensagens conflitantes sobre as perspectivas de um acordo com o Irã, um padrão que continuou na sexta-feira. Um novo acordo entre as duas nações poderia abrir caminho para uma reabertura mais ampla da navegação pelo estreito.
As empresas de navegação disseram que esperam que o acordo permita a retomada dos fluxos, mas que a incerteza permanece até que todos os detalhes sejam revelados.
Alguns disseram que, até que esse acordo seja firmado, embora seja possível tirar embarcações de Hormuz, muitas companhias continuariam relutantes em entrar.
O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, disse na sexta-feira que gostaria de um acordo de paz duradouro antes de enviar embarcações de volta ao Golfo Pérsico.
Uma retomada da navegação também tem potencial para impulsionar os ganhos dos petroleiros. “Esperaríamos, por assim dizer, uma fase de frenesi para começar”, assim que Hormuz reabrir, disse Gerasimos Kalogiratos, CEO da Capital Tankers, em uma teleconferência de resultados nesta semana.
Ele acrescentou que os custos dos petroleiros permaneceriam altos no longo prazo, à medida que os estoques globais de petróleo reponham os barris perdidos com a guerra.









